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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Títulos Nobiliárquicos – Parte 2




Olá! Neste texto veremos sobre as origens e obrigações carregadas pelos portadores dos títulos de: Conde, Duque e Marquês.





Conde

Este título tem as suas origens no Principado (Império) Romano, mais precisamente no século IV d.C, quando o imperador Constantino I, o Grande, reformou a Legião Romana: foram criadas duas tropas, os Limitanei (que patrulhavam os Limites do Império – daí o nome) e os Comitatensis, que eram comandados por oficiais chamados de “Comites” (“Acompanhantes”). O título de “Conde” tem origem nos Comites, chefes das tropas que acompanhavam o imperador ao campo de batalha e que costumavam aquartelarem-se próximo de onde encontravam-se o Augusto e a sua corte.

A partir do reinado de Valentiniano III (425 á 455), os Condes adquiriram importância ímpar, pois foi neles que a imperatriz-mãe, Gala Placídia, apoiou-se para governar durante a menoridade de Valentiniano III, com destaque para os condes Bonifácio (Conde da África) e Aécio (Conde das Gálias).

Com a Queda do Império Romano Ocidental (476) os reis bárbaros que ocuparam os territórios uma vez pertencentes á Roma, passaram a chamarem os seus homens de maior confiança de “Condes”.

Na hierarquia Nobiliárquica, o Conde está no mesmo nível que o Duque e o Marquês, porém abaixo do Príncipe, do Rei e do Imperador.





Marquês

O termo “Marquês” deriva do dialeto provençal (dialeto falado e escrito do Sul da França – região da Provença) e significa “aquele que cuida da Marca”. Os soberanos da Casa Carolíngia determinaram que os nobres responsáveis por guardar os limites (marcas) do seu Reino se chamariam Marqueses. Os marqueses adquiriram importância ímpar no reinado de Carlos Magno, que foi o ápice do Reino Franco, com destaque para os marqueses da Alemanha e da Espanha.





Duque

Com origens no Império Romano Tardio (a partir de 400) a palavra “Duque” deriva do latim “Dux”, que significa literalmente “aquele que diz (o que deve ser feito)”.

O título era tão importante, que líderes regionais pós-colapso do Império Romano do Ocidente normalmente eram referidos em documentos não como “reis”, mas sim como “duques”. O primeiro documento que menciona o personagem “Artur” se refere á ele como o Duque da Guerra (“Dux Bellorum”) dos bretões e não como um rei.





Fechamento

Bom, eu espero que tenha sido produtivo esse texto! Para encerrar essa série, no próximo episódio eu irei falar sobre o Príncipe, o Rei e o Imperador. Até lá!


LEIA TAMBÉM Títulos Nobiliárquicos - Parte 1

LEIA TAMBÉM Títulos Nobiliárquicos - Parte 3

sexta-feira, 27 de março de 2020

Títulos Nobiliárquicos – Parte 1




Olá!



Neste texto iremos falar as origens e significados dos três títulos de nobreza mais simples: o Cavaleiro, o Barão e o Visconde.





Cavaleiro

O título de cavaleiro tem as suas origens na Roma Antiga, onde a classe média era chamada de “equestrii” (“cavaleiros”): eram homens que tinham dinheiro suficiente para comprar um cavalo e que quando convocados para a guerra (no sistema da Legião RomanaPré-Mariano) normalmente serviam e combatiam montados.

A partir do século III d.C, o legionarii começou a perder importância para o equestrii, que já não era mais um cidadão de classe média, mas sim um soldado recrutado nas massas e que servia a Legião Romana regularmente.

O título deu uma arrefecida com a Queda do Império Romano do Ocidente (476) para voltar com força total com os francos a partir das reformas que Carlos Martel promoveu após a famosa Batalha de Poitiers/Tours (732): durante a famosa batalha, os francos só conseguiram superar a cavalaria árabe por estarem em um terreno alto além de terem armas longas (espadas e lanças) e pelo fato de os muçulmanos terem se desorganizado no ataque aos francos.

Os cavaleiros francos foram feitos inicialmente para combater os cavaleiros islâmicos que ainda se encontravam na Septmânia e nos Pirinéus. Embora eles tenham sido utilizados pelos francos contra os lombardos pagãos nos tempos de Pepino, o Breve (filho de Carlos Martel e pai de Carlos Magno). A partir de então, os povos europeus cristãos passaram a terem cavaleiros em suas fileiras: guerreiros devotados que proferiam votos de fidelidade e que desde a infância ingressavam nesse caminho. Haviam sim cavaleiros corruptos, mas isso não era a regra.

Por causa dos constantes conflitos na Península Ibérica (A Reconquista) ser um cavaleiro inicialmente era um título dado para qualquer camponês que tivesse um cavalo disponível para a batalha (semelhante ao equestrii republicano romano), porém com o tempo o título ganhou grande importância sendo que por causa das ordens religiosas de cruzados que atuavam dentro da Península, ser sagrado cavaleiro tornou-se de suma importância não apenas como título, mas o real significado de que aquele guerreiro era um cristão e que combatia “o bom combate”, eram títulos carregados de grande importância e dever.

Nos reinos da França e Inglaterra, o Cavaleiro era o mais baixo título de nobreza e visto pelos grandes nobres como um pouco melhores do que a plebe, sendo que no último país mencionado ser um cavaleiro dava permissão legal para que uma pessoa portasse uma espada dentro de cidades (um camponês não poderia fazê-lo).

Hoje em dia ser sagrado um Cavaleiro é um honraria dada a membros civis em países onde ainda se conserva a Monarquia (como o Reino Unido) ou onde essa tradição ainda é muito forte (como na República de Portugal).





Barão

É derivado de uma palavra em germânico antigo e que significa “homem livre”. Os homens livres (barões) originalmente configuravam o status de todo homem germânico que pertenciam a uma tribo e que não eram escravos. Os barões eram todos aqueles que eram convocados pelo rei da tribo para pegarem em armas e cujas vozes se faziam ouvir nas assembleias de guerreiros.

Como os germânicos conquistaram todo o Império Romano do Ocidente, o título se popularizou a tal ponto, que “barão” se tornou sinônimo de “nobreza”, aquilo que em Portugal se chamaria “fidalgo” e em espanhol “hidalgo”.

Em títulos nobiliárquicos, ser um Barão é estar abaixo de todos os títulos, exceto o de Cavaleiro e o de Visconde...





Visconde

O termo deriva do latim “vice-comites” ou em uma tradução literal “o vice-conde”, sendo o termo “vice” significando “aquele que fica no lugar de”. Ou seja: originalmente o visconde respondia pelas funções do conde, quando este se ausentava de suas terras (Condado) para atender as convocatórias dos Soberanos. Com o tempo deixou de ser uma função (bastante honrada) para ser um título de nobreza equiparável ao de um Barão e acima do título de Cavaleiro.





Bom, estes foram os títulos deste artigo. No próximo artigo desta série eu falarei sobre os Condes, Duques e Marqueses. Não perca!


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