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terça-feira, 5 de maio de 2020

A Barba ao Longo da História Marcial




Olá! Hoje veremos sobre como era a relação dos guerreiros com a barba ao longo da história Ocidental!





Helenos e Macedônios

Os helenos (gregos) costumavam ir para a batalha com barbas elaboradas, pois o homem helenístico orgulhava-se de ter e ostentar barba. Os exércitos de hoplitas formados por cidadãos eram em sua maioria, barbados.

Entre os macedônios a coisa já não era bem assim: Alexandre, o Grande, ordenava aos seus homens que fizessem a barba regularmente para evitar que os inimigos agarrassem os pelos durante as batalhas. Resultado é que o costume de se barbear espalhou-se pelos mais diversos cantos do mundo.





Romanos

Entre os romanos, fazia-se a barba por razões religiosas: quando completava dezessete anos (maioridade romana), os homens faziam a barba pela primeira vez e ofertavam os pelos ao deus da masculinidade, Falos. Por essa razão e também por adotarem a cultura helenística de Alexandre, os romanos (as legiões) faziam a barba constantemente: era a norma ficar de rosto limpo.

Durante o século III d.C a medida em que mais bárbaros entravam nas legiões e a Cultura do Oriente (dos partos e dos persas) influenciava Roma, os legionários tornavam-se mais barbados. A partir da segunda metade do século IV d.C, o número de barbados na Legião aumentou vertiginosamente devido aos muitos bárbaros que a ingressavam através do sistema de Federação.





Reinos Bárbaros e Estados Nacionais

Entre os bárbaros que conquistaram a parte Ocidental de Roma, a barba variava bastante entre os soldados: alguns usavam e outros não. Dependia muito da época e do indivíduo sendo o mesmo dito em relação aos Estados Nacionais que surgiram a partir do século XII d.C.





Primeira Guerra Mundial

Durante a 1ª Guerra Mundial, inicialmente os homens iam para o combate barbados ou ostentando bigodes, porém com o uso massivo de gás por parte dos alemães (principalmente a partir de 1915) máscaras foram desenvolvidas para proteger os homens e a sua eficácia aumentava no caso de o indivíduo que a usasse estivesse de barba feita. Por isso a partir de 1915, os exércitos do Ocidente passaram a fazerem a barba regularmente, tradição essa que prossegue até aos dias atuais!





Conclusão

Eu espero que você tenha se divertido com essa breve viagem que fizemos pela história do Ocidente! Fiquem com Deus e até a próxima!


Eu fiz um vídeo falando sobre o assunto, ele está com o áudio em português do Brasil:


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A Legião Romana Pré-Mariano




Olá! Este é o segundo artigo da série que eu estou fazendo sobre a Legião Romana. Neste artigo veremos como era a Legião antes das reformas Marianas (reformas estas efetuadas pelo cônsul e general romano Caio Mário, tio-avô do famoso Caio Júlio César) que ocorreram por volta do ano 100 a.C. Sobre elas eu falarei no próximo artigo da série.





Origens

A Legião Romana surgiu junto com a cidade de Roma, ou seja: não possui uma data certa de fundação. O que é certo sobre ela é que a região do Lácio, onde se encontrava Roma era influenciada pelos Etruscos e como tal era uma terra com inclinação à cultura helênica (ou Grega Clássica). Sendo assim, a Legião Romana possuía equipamentos e táticas inspiradas pelas falanges e hoplitas helênicos, com a kopis como espada além de escudos redondos e armaduras feitas de camadas sucessivas de linho (linothorax). Nesses tempos, o equipamento era pago não pelo dinheiro de impostos, mas sim pelos próprios cidadãos romanos que eram convocados pelo Estado para defenderem as suas terras, bem como os limites da cidade das incursões de exércitos vizinhos.

Antes das Reformas Marianas, os legionários romanos eram convocados entre os proprietários de terra: era necessário ser fazendeiro para ter o direito/dever de pegar em armas pela Pátria.





Transformações

Apesar de se inspirar nas falanges e hoplitas helênicos para guerrearem, por causa do terreno irregular da Península Itálica, a tendência das falanges romanas foi a de se adequarem em formações que passaram a história como “manipulus”, cuja tradução é: “mão cheia de soldados”. As falanges romanas passaram a combater em blocos com até cem homens em campo de batalha sendo que os manipulus podiam ter menos homens em sua composição, desde que eles fossem dezenas e estivessem juntos.

Além disso, os manipulus eram dispostos em três grandes grupos: os Hastati, os Princeps e os Triarii.

·        Hastati: eram a vanguarda da Legião. Eram formados por soldados novatos que não tinham experiência em batalhas ou possuía pouca.

·        Princeps: quando os Hastati estavam em apuros, os princeps entravam em ação e apoiavam os novatos. Os princeps eram soldados mais experientes.

·        Triarii: eram a retaguarda da Legião. Os soldados mais velhos e experientes eram colocados aqui. Quando entravam em batalha significava que havia o risco real de derrota por parte da Legião.


Um legionário romano no século V a.C.

Durante as Guerras Samnitas (343 a.C-290 a.C), os romanos adotaram o scutum (um escudo em formato retangular, mas com as pontas arredondadas) de seus inimigos para si, abandonando o escudo de formato redondo (hoplos) que haviam usado e que era de inspiração helênica.




Um legionário pós-Guerra Samnita.


Durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C-201 a.C), enquanto invadiam a Península Ibérica em retaliação á Aníbal Barca, os romanos adotaram o gládio espanhol (gladius hispaniensis) e substituíram assim a kopis helênica pela espada que se tornaria assim o ícone da Legião! O pilo (ou pilum, lança de arremesso) também foi adotado nesse tempo: tanto o gládio quanto o pilo foram copiados de soldados celtas que estavam na Península Ibérica.

Legionários durante e após a Segunda Guerra Púnica.


Além disso, a Segunda Guerra Púnica foi um divisor de águas não apenas para a Legião Romana, mas também para a arte da guerra dos romanos, pois muitas das táticas empregadas por Aníbal Barca foram copiadas por Roma e incorporadas na Legião! Essa “nova Legião” era forte e organizada o suficiente (além de bem conduzida) para invadir o Mediterrâneo Oriental e impor derrotas significativas aos Estados Diádocos (Estados Sucessores de Alexandre) como nas batalhas de Cinoscéfalos (198 a.C), Magnésias (190 a.C), Pidna (168 a.C) e Corinto (146 a.C), além do Cerco á Cartago (149 a.C-146 a.C).





Novas Mudanças?

Se a Legião Romana era tão formidável assim, por que Caio Mário precisaria reforma-la? Bem, essa configuração era boa para enfrentar os helênicos, os púnicos e os celtas hispânicos, porém era deficitária para lidar com uma nova ameaça: os germânicos. Mas sobre isso eu falarei em um novo artigo, cujo link estará abaixo assim que for publicado...



Fiquem com Deus e até a próxima!

Legião Romana: Uma Introdução



A Legião Romana (em latim: Legio Romanae) foi uma instituição que perdurou por quase oito ou nove séculos e que passou por transformações ao longo desses séculos de existência.

É importante registrar que as chaves dessas transformações se apoiam em três coisas:



·        A doutrina de adaptabilidade que a Legião possuía (tudo o que funcionava em combate era copiado: armas, táticas, organização...).

·        A necessidade imediata que a Pátria passava.

·        A situação econômica que a Pátria passava.



Sem compreender os três itens acima destacados é impossível compreender o porquê de a Legião Romana ter se adaptado ao longo dos séculos.



Eu falarei em uma série de artigos sobre as principais reformas que a Legião Romana passou ao longo dos séculos. Por hora basta saber que eu dividi a Legião em períodos:



·        Período Pré-Mariano (ou Republicano Pleno) ?-100 a.C

·        Período Pós-Mariano (ou Republicano Tardio) 100 a.C-30 a.C

·        Período Pós-Augusto (ou Imperial Pleno) 30 a.C-210 d.C

·        Período Pós-Severo (ou Imperial Médio) 210 d.C-270 d.C

·        Período Pós-Aureliano (ou Imperial Tardio) 270-330

·        Período Pós-Constantino (ou Imperial Renovado) 330-390

·        Período Pós-Teodosiano (ou Imperial Baixo) 390-476



Sobre cada um desses períodos eu escreverei em artigos em separados. Cada um desses artigos assim que forem publicados, serão colocados o link correspondente.



Independente do período, a Legião Romana em campo de batalha se organizava em tropas de infantaria (isso é, combatiam a pé) e em campo de batalha posicionavam-se em formação de falange, com uma deterioração dessa formação a partir do Período Pós-Teodosiano.



Fiquem com Deus e até a próxima!