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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A Legião Romana Pré-Mariano




Olá! Este é o segundo artigo da série que eu estou fazendo sobre a Legião Romana. Neste artigo veremos como era a Legião antes das reformas Marianas (reformas estas efetuadas pelo cônsul e general romano Caio Mário, tio-avô do famoso Caio Júlio César) que ocorreram por volta do ano 100 a.C. Sobre elas eu falarei no próximo artigo da série.





Origens

A Legião Romana surgiu junto com a cidade de Roma, ou seja: não possui uma data certa de fundação. O que é certo sobre ela é que a região do Lácio, onde se encontrava Roma era influenciada pelos Etruscos e como tal era uma terra com inclinação à cultura helênica (ou Grega Clássica). Sendo assim, a Legião Romana possuía equipamentos e táticas inspiradas pelas falanges e hoplitas helênicos, com a kopis como espada além de escudos redondos e armaduras feitas de camadas sucessivas de linho (linothorax). Nesses tempos, o equipamento era pago não pelo dinheiro de impostos, mas sim pelos próprios cidadãos romanos que eram convocados pelo Estado para defenderem as suas terras, bem como os limites da cidade das incursões de exércitos vizinhos.

Antes das Reformas Marianas, os legionários romanos eram convocados entre os proprietários de terra: era necessário ser fazendeiro para ter o direito/dever de pegar em armas pela Pátria.





Transformações

Apesar de se inspirar nas falanges e hoplitas helênicos para guerrearem, por causa do terreno irregular da Península Itálica, a tendência das falanges romanas foi a de se adequarem em formações que passaram a história como “manipulus”, cuja tradução é: “mão cheia de soldados”. As falanges romanas passaram a combater em blocos com até cem homens em campo de batalha sendo que os manipulus podiam ter menos homens em sua composição, desde que eles fossem dezenas e estivessem juntos.

Além disso, os manipulus eram dispostos em três grandes grupos: os Hastati, os Princeps e os Triarii.

·        Hastati: eram a vanguarda da Legião. Eram formados por soldados novatos que não tinham experiência em batalhas ou possuía pouca.

·        Princeps: quando os Hastati estavam em apuros, os princeps entravam em ação e apoiavam os novatos. Os princeps eram soldados mais experientes.

·        Triarii: eram a retaguarda da Legião. Os soldados mais velhos e experientes eram colocados aqui. Quando entravam em batalha significava que havia o risco real de derrota por parte da Legião.


Um legionário romano no século V a.C.

Durante as Guerras Samnitas (343 a.C-290 a.C), os romanos adotaram o scutum (um escudo em formato retangular, mas com as pontas arredondadas) de seus inimigos para si, abandonando o escudo de formato redondo (hoplos) que haviam usado e que era de inspiração helênica.




Um legionário pós-Guerra Samnita.


Durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C-201 a.C), enquanto invadiam a Península Ibérica em retaliação á Aníbal Barca, os romanos adotaram o gládio espanhol (gladius hispaniensis) e substituíram assim a kopis helênica pela espada que se tornaria assim o ícone da Legião! O pilo (ou pilum, lança de arremesso) também foi adotado nesse tempo: tanto o gládio quanto o pilo foram copiados de soldados celtas que estavam na Península Ibérica.

Legionários durante e após a Segunda Guerra Púnica.


Além disso, a Segunda Guerra Púnica foi um divisor de águas não apenas para a Legião Romana, mas também para a arte da guerra dos romanos, pois muitas das táticas empregadas por Aníbal Barca foram copiadas por Roma e incorporadas na Legião! Essa “nova Legião” era forte e organizada o suficiente (além de bem conduzida) para invadir o Mediterrâneo Oriental e impor derrotas significativas aos Estados Diádocos (Estados Sucessores de Alexandre) como nas batalhas de Cinoscéfalos (198 a.C), Magnésias (190 a.C), Pidna (168 a.C) e Corinto (146 a.C), além do Cerco á Cartago (149 a.C-146 a.C).





Novas Mudanças?

Se a Legião Romana era tão formidável assim, por que Caio Mário precisaria reforma-la? Bem, essa configuração era boa para enfrentar os helênicos, os púnicos e os celtas hispânicos, porém era deficitária para lidar com uma nova ameaça: os germânicos. Mas sobre isso eu falarei em um novo artigo, cujo link estará abaixo assim que for publicado...



Fiquem com Deus e até a próxima!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Gládio (Gladius): Uma Introdução!






Olá! Hoje estudaremos um pouco sobre o gládio.





Origem

Gládio é um termo aportuguesado do latim “gladius”, palavra esta que basicamente significa: “espada”. Apesar do nome desta espada ser latino, a origem da arma é na Península Ibérica: durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C – 201 a.C), os romanos tiveram que invadir as colônias que pertenciam á Cartago e que estavam localizadas na já referida península. Durante a invasão, os romanos tiveram que se defrontar com tribos de celtas que eram aliados dos púnicos (ou cartagineses, se você preferir) e algumas delas utilizavam uma espada curta contra os romanos (que na época empunhavam a kopis, afinal as legiões romanas eram herdeiras dos hoplitas helênicos) que viram na arma um grande potencial bélico e a adotaram para si. Essa espada curta emprestada dos celtas ibéricos foi chamada pelos romanos de “gladius hispaniensis”, ou “espada espanhola” em uma tradução literal.





Tipos e Modelos

Historicamente falando só houve um gládio, que é o tipo “hispaniensis”, porém arqueólogos encontraram em sítios arqueológicos, gládios cujo desenho diferiam ligeiramente da forma do gladius hispaniensis e assim eles definiram que o gládio possuía quatro “versões”.




As quatro definições artificiais que arqueólogos e historiadores usam para o gládio.



É importante ressaltar que para os romanos de outrora, só havia UM TIPO de gládio! Essas nomenclaturas são utilizadas apenas por historiadores e arqueólogos contemporâneos! As diferenças nos desenhos das gladius se dava pelo fato de que a espada era feita de maneira artesanal, por ferreiros em diversas partes do Mediterrâneo, assim era impossível obter uma padronização na fabricação do mesmo!





Maneira de Se Utilizar

Um gládio era utilizado em golpes de estocadas pelos seus usuários. Em testes que eu fiz, a arma se comportou extremamente boa em estocadas e menos satisfatoriamente em golpes que envolviam o corte, confirmando aquilo que eu já havia estudado em documentários, livros, revistas e séries: o gládio foi feito para se perfurar e não cortar, embora o faça muito bem! Quem sabe lutar com facas facilmente se adapta ao gládio, pois ele funciona como uma “faca grande”, grosseiramente falando. Se você tiver um gládio, treine sequências de estocada que visem o abdômen e a garganta do adversário, sendo que o golpe favorito dos legionários romanos era estocar o abdômen de seus inimigos!



Utilizar um gládio é simples, porém exige treinamento no uso da arma, além de resistência física, mas ambos podem ser adquiridos com treino. E lembre-se de que o gládio é uma espada feita para se utilizar com um escudo, sendo que pode-se facilmente adaptar o uso dele com um broquel!



Ao utilizar o gládio da maneira correta (com ataques de estocada e diretos no alvo, sem firulas) facilmente se observa que a arma foi adotada pelos romanos por algumas razões:



·        Simplicidade no desenho, em contraste com a kopis, que é curva. A simplicidade fazia os custos de produção cair.

·        Simplicidade em se utilizar a arma, que basicamente se resume em estocar os adversários com ataques diretos.

·        É uma arma curta, o que facilitava a coesão dos legionários romanos no campo de batalha, que em formação de falange (chamadas de “manipulus” em latim) avançavam ordenadamente como uma massa de pessoas, contra os inimigos.




O Gládio Perante Outras Espadas

Comparar o gládio com outras espadas é covardia, pois é uma arma condicionada a ser utilizada em certas situações no campo de batalha. Para ser 100% eficaz, o gládio precisa:



·        Ser utilizado em conjunto com um escudo (ou broquel).

·        Ser utilizado por soldados que se movam em equipe.

·        Ser utilizado por uma pessoa de baixa estatura.



Quaisquer comparações que se faça com o gládio deverá ser feita sob essa ótica exposta nos tópicos anteriores, caso contrário é pura falácia!





Por Que o Gládio Deixou de Ser Utilizado?

O gládio como dito anteriormente era utilizado pelos legionários romanos em campo de batalha e os mesmos se moviam em equipe. A partir da segunda metade do século II d.C, os inimigos de Roma (mais precisamente os bárbaros germânicos e celtas) passaram a evitar grandes confrontos com os romanos, além de passarem a utilizarem mais cavalaria do que infantaria nas táticas contra os legionários, o que obrigou os imperadores a refazerem taticamente a Legião (Marco Aurélio ordenou que os grandes manipulus fossem desfeitos para que os legionários fossem para a batalha em equipes de até cinco pessoas e que podiam se dispersar caso a necessidade pedisse – Sétimo Severo durante as suas campanhas contra os celtas que viviam no que hoje é a Escócia, viu que a cavalaria inimiga usava uma espada longa durante os seus ataques eficazes contra Roma, então substituiu o gládio pela spatha, sendo o gládio delegado apenas para as tropas de infantaria ligeira).



A arma foi deixada de lado não por falta de capacidade da mesma, mas sim porque a nova realidade tática nas batalhas exigia isso: a arma era curta demais para ser utilizada por tropas de cavalaria, pois Sétimo Severo (reinou de 193 d.C á 211 d.C) teve que enfrentar cavaleiros partos (especialmente os cefratários – ou cataphract) e cavaleiros celtas (ou pictos, se preferir) em longas e sangrentas campanhas militares. A partir dele a importância do legionarii (um infante que combatia a pé) começou a decair em favor do equestrii (ou cavaleiro), mas isso é outra história para outro artigo...


Eu publiquei um vídeo no YouTube falando sobre o Gládio, está em língua portuguesa:




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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A Cavalaria na Era Antiga




Olá! Hoje eu vou falar sobre a Cavalaria, porém não aquela á qual estamos habituados, mas sim a Cavalaria durante a Era Antiga (3000 a.C – 476 d.C).





Início

Os mesopotâmicos (sumérios, acádios, amoritas...) tinham medo dos cavalos e os consideravam demônios. Quando os cassitas apareceram usando cavalos em suas ações militares, rapidamente os amoritas (conhecidos também como “Paleo-Babilônicos”) os contrataram como mercenários.



Após isso, os cavalos só teriam real importância militarmente falando, quando egípcios, mitanis e hititas os utilizavam para puxarem as suas carruagens de guerra (a partir do século XV a.C).



A Cavalaria como a conhecemos só passou a existir a partir do século VIII a.C, quando os citas, vindos das Estepes da Ásia Central, invadiram o que hoje em dia chamamos de Irã e Iraque. Os citas podem ter sido expulsos pelos assírios da Mesopotâmia, porém instalaram-se no Planalto Iraniano, mesclando-se com as tribos de pastores ali existentes, entre eles os persas, que passaram a se valerem de Cavalaria em suas incursões expansionistas constantes sobretudo a partir de 553 a.C, quando o rei persa Ciro II, revoltou-se contra o rei dos medos, Ciaxares.



Durante os séculos VI a.C e V a.C, no Ocidente, o cavalo era utilizado basicamente para transportar pessoas, pois na Hélade (Grécia) e em Roma os combates se davam em planícies ou em montanhas utilizando-se tropas de infantaria para tal.



Porém os macedônios foram invadidos pelos persas e aparentemente aprenderam com estes á montar à cavalo e a combaterem montados nestes animais. Posteriormente com a prevalência da Macedônia no mundo (através das lendárias campanhas de Megas Alexândros – Alexandre, o Grande) este modelo de combatente (o Cavaleiro) foi exportado para diversas partes do Mediterrâneo, chegando até mesmo aos povos celtas e germânicos (embora estes últimos possam ter aprendido a lutar montados à cavalo com tribos citas ou sarmatianas).





Funções da Cavalaria na Era Antiga

Seja como for, a Cavalaria durante a Era Antiga (em um período entre 650 a.C à 476 d.C) se concentrava em quatro funções básicas em campanhas militares:



1.   Perseguir inimigos derrotados.

2.   Como batedores do terreno á ser explorado.

3.   Como coletores e transportadores de víveres.

4.   Para ataques rápidos e localizados.





A Cavalaria no Ocidente

No Ocidente sobretudo, montar à cavalo era status: comandantes militares costumavam ir para a batalha montados nos lombos de equinos e em Roma existia a classe dos “Equestres”: pessoas que possuíam dinheiro suficiente para adquirirem um cavalo, era o equivalente á classe média ou média-alta que possuímos hoje em dia no Brasil.



Os númidas, os celtas, os macedônios e os romanos possuíram em algum tempo uma ótima Cavalaria (para os padrões da Antiguidade), que terminou por marcar história.



No mais é isso! Fiquem com Deus e até a próxima!


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