quarta-feira, 4 de março de 2020

Lange Messer: Uma Introdução




Olá! Neste texto eu falarei sobre o Lange Messer, uma arma pouco conhecida atualmente, porém muito popular na Idade Média Européia!





A Arma

Lange Messer é um termo em alemão que significa "Faca Longa" (Lange=longa; Messer=faca). O Lange Messer é a versão alemã medieval do "Fachion" francês. A ponta de uma Lange Messer é do tipo "clip point", o que a faz ter uma aparência semelhante á uma faca bowie, só que longa. Os Lange Messers normalmente possuem uma guarda que além de proteger a mão do usuário ainda por cima serve para evitar que a mesma escape para o fio: uma arma podia ter entre 900 gramas a até 1,5 kg de massa e entre 75 cm á 1,2 metro de comprimento.





A Lange Messer foi uma arma muito popular entre pessoas comuns e mercenários que viviam nos territórios do então Sacro Império Romano-Germânico e o seu treinamento é relatado em manuais de artes marciais da Escola Alemã.Vários fechtbuch (manuais de defesa pessoal) da época ensinam como utilizar um lange messer.





Conclusão

Em nossos dias atuais, no Brasil, aprender como usar uma lange messer é fundamental para a nossa defesa pessoal e caso você seja interessado em HEMA, esta arma pode ser o seu ponto de partida para o seu aprendizado, pois ela se assemelha bastante á um facão em tamanho e em uso.


Caso você não tenha dinheiro para comprar uma espada, uma lange messer pode ser improvisada a partir de um facão!

segunda-feira, 2 de março de 2020

Como Usar um Gládio (Gladius)?




Olá! Neste texto eu pretendo responder uma questão: como se utiliza um gládio (ou gladius, caso você queira manter a pronúncia original) em combate? Vamos às respostas?

O meu gládio!




Contexto

Em outro texto (este aqui) eu mencionei que havia dois tipos de espadas: as que se usavam com escudo e as que não se utilizavam com escudo. O gládio é uma espada que se usa com escudo. Tendo isso em mente, fica mais fácil de entender que ele é usado para ações estritamente ofensivas enquanto que o escudo deverá ser usado para movimentos defensivos. Além disso, os romanos nos tempos das Legiões Pré-Mariano, Pós-Mariano e Pós-Augusto (que você poderá ler clicando aqui) lutavam em grupos chamados de manipulus ou centúria (dependendo da época): eles NÃO travavam combates individuais nos campos de batalha.



Essa é a base tática de uma luta onde e qual o contexto você deverá usar um gládio. Mas agora vamos aos dois modos de se utilizar a espada.





Respaldo Histórico

[Ele] Retalhou o primeiro que encontrou e avançou muito (...) até o momento em que foi detido por um golpe de espada na boca tão violento que a ponta da arma saiu por cima de sua nuca. – Alexandre e César, Vidas Paralelas – César, capítulo XLIV, verso 12.



Essa citação, retirada da obra de Plutarco de Queronéia, nos mostra os dois usos do gládio em combate: o primeiro é através dos golpes de retalhos (cortes, se você preferir) e o segundo é através de golpes de estocada.



Essas são as duas maneiras de se utilizar o gládio. Eu poderia parar por aqui, mas eu pretendo dar-lhes alguns detalhes extras que farão toda a diferença.





Onde Atingir?

O gládio essencialmente foi desenhado para um melhor desempenho em estocadas. Ele é bom em cortes, porém é na perfuração que ele se destaca! Sendo assim, existem dois pontos fundamentais onde a espada pode estocar um adversário: o primeiro é no abdômen e o segundo ponto é na garganta. O gládio pode ser utilizado para estocar outros pontos, porém é nesses dois que ele causa mais estragos.



Eu tenho um gládio e treino há cerca de um ano com ele e cheguei à conclusão de que ele é uma arma boa para golpes de estocada, além de eu ter treinado golpes dirigidos á garganta e ao abdômen.





Conclusão

Muita gente fala do gládio, porém ninguém faz um texto explicando como usá-lo! Eu espero que você tenha aprendido como usar essa espada que fez história! Fiquem com Deus e até a próxima!

LEIA TAMBÉM: Gládio (Gladius): Uma Introdução.

LEIA TAMBÉM: Tipos de Espadas Existentes.

Boxe: Uma Introdução




Olá: hoje falarei sobre o Boxe, na verdade, sobre os boxes existentes.





Introdução
O termo “boxe” deriva do inglês “to box” (“bater”) e serve para designar qualquer tipo de luta que envolva a troca de socos, chutes e extremidades entre os seus praticantes.



Existem vários tipos de boxe: o inglês, o francês (Savate), o filipino (Panantukan), o boxe tailandês (Muai Thay), o boxe chinês (Sanda), o Kickboxing... todos com as suas regras de trocas de golpes e com trocas de golpes!





Historicamente
No Ocidente, tivemos o pugilato, cujas raízes remontam á pelo menos 3 mil e quinhentos anos, quando os minoanos (cretenses) trocavam socos e cotoveladas em lutas. Em sítios arqueológicos pertencentes á Civilização Minóica existem pinturas de boxeadores trocando golpes: é a mais antiga forma de boxe (e uma das mais antigas de luta com as mãos) existente e já devidamente documentada. Isso demonstra duas coisas: NÃO foi na Índia que surgiram as artes marciais e lutar sempre foi algo próprio dos seres humanos.


Pugilato sendo praticado há 3.500 anos atrás!



Esse “boxe grego antigo” possui o nome de “pugilato”, pois quando Roma conquistou a Hélade (Grécia) e os romanos adotaram a cultura helênica, eles passaram a chamar assim aquela forma de boxe, que rapidamente caiu no gosto popular da Civilização Latina, sendo exibidas lutas de pugilato em teatros e arenas por todas as possessões romanas.

Eu fiz um vídeo falando sobre o Boxe, ele está com o áudio em português do Brasil, assista-o abaixo:







Finalizando...
Por enquanto é só isso. Como o assunto é longo e extenso, escreverei mais sobre ele futuramente! Fiquem com Deus e até a próxima!


LEIA TAMBÉM: Boxe (Pugilato): Algumas Considerações

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A Legião Romana Pré-Mariano




Olá! Este é o segundo artigo da série que eu estou fazendo sobre a Legião Romana. Neste artigo veremos como era a Legião antes das reformas Marianas (reformas estas efetuadas pelo cônsul e general romano Caio Mário, tio-avô do famoso Caio Júlio César) que ocorreram por volta do ano 100 a.C. Sobre elas eu falarei no próximo artigo da série.





Origens

A Legião Romana surgiu junto com a cidade de Roma, ou seja: não possui uma data certa de fundação. O que é certo sobre ela é que a região do Lácio, onde se encontrava Roma era influenciada pelos Etruscos e como tal era uma terra com inclinação à cultura helênica (ou Grega Clássica). Sendo assim, a Legião Romana possuía equipamentos e táticas inspiradas pelas falanges e hoplitas helênicos, com a kopis como espada além de escudos redondos e armaduras feitas de camadas sucessivas de linho (linothorax). Nesses tempos, o equipamento era pago não pelo dinheiro de impostos, mas sim pelos próprios cidadãos romanos que eram convocados pelo Estado para defenderem as suas terras, bem como os limites da cidade das incursões de exércitos vizinhos.

Antes das Reformas Marianas, os legionários romanos eram convocados entre os proprietários de terra: era necessário ser fazendeiro para ter o direito/dever de pegar em armas pela Pátria.





Transformações

Apesar de se inspirar nas falanges e hoplitas helênicos para guerrearem, por causa do terreno irregular da Península Itálica, a tendência das falanges romanas foi a de se adequarem em formações que passaram a história como “manipulus”, cuja tradução é: “mão cheia de soldados”. As falanges romanas passaram a combater em blocos com até cem homens em campo de batalha sendo que os manipulus podiam ter menos homens em sua composição, desde que eles fossem dezenas e estivessem juntos.

Além disso, os manipulus eram dispostos em três grandes grupos: os Hastati, os Princeps e os Triarii.

·        Hastati: eram a vanguarda da Legião. Eram formados por soldados novatos que não tinham experiência em batalhas ou possuía pouca.

·        Princeps: quando os Hastati estavam em apuros, os princeps entravam em ação e apoiavam os novatos. Os princeps eram soldados mais experientes.

·        Triarii: eram a retaguarda da Legião. Os soldados mais velhos e experientes eram colocados aqui. Quando entravam em batalha significava que havia o risco real de derrota por parte da Legião.


Um legionário romano no século V a.C.

Durante as Guerras Samnitas (343 a.C-290 a.C), os romanos adotaram o scutum (um escudo em formato retangular, mas com as pontas arredondadas) de seus inimigos para si, abandonando o escudo de formato redondo (hoplos) que haviam usado e que era de inspiração helênica.




Um legionário pós-Guerra Samnita.


Durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C-201 a.C), enquanto invadiam a Península Ibérica em retaliação á Aníbal Barca, os romanos adotaram o gládio espanhol (gladius hispaniensis) e substituíram assim a kopis helênica pela espada que se tornaria assim o ícone da Legião! O pilo (ou pilum, lança de arremesso) também foi adotado nesse tempo: tanto o gládio quanto o pilo foram copiados de soldados celtas que estavam na Península Ibérica.

Legionários durante e após a Segunda Guerra Púnica.


Além disso, a Segunda Guerra Púnica foi um divisor de águas não apenas para a Legião Romana, mas também para a arte da guerra dos romanos, pois muitas das táticas empregadas por Aníbal Barca foram copiadas por Roma e incorporadas na Legião! Essa “nova Legião” era forte e organizada o suficiente (além de bem conduzida) para invadir o Mediterrâneo Oriental e impor derrotas significativas aos Estados Diádocos (Estados Sucessores de Alexandre) como nas batalhas de Cinoscéfalos (198 a.C), Magnésias (190 a.C), Pidna (168 a.C) e Corinto (146 a.C), além do Cerco á Cartago (149 a.C-146 a.C).





Novas Mudanças?

Se a Legião Romana era tão formidável assim, por que Caio Mário precisaria reforma-la? Bem, essa configuração era boa para enfrentar os helênicos, os púnicos e os celtas hispânicos, porém era deficitária para lidar com uma nova ameaça: os germânicos. Mas sobre isso eu falarei em um novo artigo, cujo link estará abaixo assim que for publicado...



Fiquem com Deus e até a próxima!

Legião Romana: Uma Introdução



A Legião Romana (em latim: Legio Romanae) foi uma instituição que perdurou por quase oito ou nove séculos e que passou por transformações ao longo desses séculos de existência.

É importante registrar que as chaves dessas transformações se apoiam em três coisas:



·        A doutrina de adaptabilidade que a Legião possuía (tudo o que funcionava em combate era copiado: armas, táticas, organização...).

·        A necessidade imediata que a Pátria passava.

·        A situação econômica que a Pátria passava.



Sem compreender os três itens acima destacados é impossível compreender o porquê de a Legião Romana ter se adaptado ao longo dos séculos.



Eu falarei em uma série de artigos sobre as principais reformas que a Legião Romana passou ao longo dos séculos. Por hora basta saber que eu dividi a Legião em períodos:



·        Período Pré-Mariano (ou Republicano Pleno) ?-100 a.C

·        Período Pós-Mariano (ou Republicano Tardio) 100 a.C-30 a.C

·        Período Pós-Augusto (ou Imperial Pleno) 30 a.C-210 d.C

·        Período Pós-Severo (ou Imperial Médio) 210 d.C-270 d.C

·        Período Pós-Aureliano (ou Imperial Tardio) 270-330

·        Período Pós-Constantino (ou Imperial Renovado) 330-390

·        Período Pós-Teodosiano (ou Imperial Baixo) 390-476



Sobre cada um desses períodos eu escreverei em artigos em separados. Cada um desses artigos assim que forem publicados, serão colocados o link correspondente.



Independente do período, a Legião Romana em campo de batalha se organizava em tropas de infantaria (isso é, combatiam a pé) e em campo de batalha posicionavam-se em formação de falange, com uma deterioração dessa formação a partir do Período Pós-Teodosiano.



Fiquem com Deus e até a próxima!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Sistemas de Graduação em Artes Marciais




Olá! Hoje eu falarei sobre as origens e para onde estão indo os sistemas de graduações nas artes marciais e a minha solução para esse problema.





Origens dos Sistemas de Graduações

Faixa branca para iniciantes e faixa preta para alunos que deixam de sê-lo para tornarem-se professores. O atual sistema de graduação é o de faixas e tem as suas origens no Judô: o mestre Jigoro Kano optou por criar um sistema de graduação onde cada nível é representado por uma cor de faixa (a faixa serve para deixar o kimono preso). No Judô a faixa para iniciantes é a branca, a seguinte é a cinza, as posteriores á esta são as de cores: azul, amarela, verde, roxa, marrom e a preta. Quando se consegue a faixa preta, torna-se primeiro dan e pode-se seguir até ao décimo-segundo dan. Isso no Judô.

O mestre Gishin Funakoshi, criador do estilo shotokan de Karatê-dô, copiou do Judô o sistema de faixas, embora tenha feito algumas alterações. Oito décadas após o mestre Funakoshi ter adotado o sistema de faixa do Judô, praticamente todas as artes marciais fizeram o mesmo: capoeira, krav maga, ninjutsu, boxe, kickboxing, muay thai, kung fu... todas essas e outras artes marciais possuem graduações de cores! Existem boatos que afirmam que ocorre um comércio de faixas. Como eu nunca vi isso acontecer, fica apenas no boato, mas pela internet encontramos os mais variados relatos sobre essa prática.





Graduações na Cavalaria

As graduações na Cavalaria se resumiam a apenas três graus: Pajem, Escudeiro e Cavaleiro. Sobre cada uma dessas graduações eu falarei mais tarde em outro artigo. Mas por hora basta saber que eram três graduações e que elas podiam durar até dez anos para serem concluídas!





A Minha Proposta

Baseado nesse sistema de graduações (o da Cavalaria), eu acredito que um sistema correto de graduação deveria ser assim proposto: Básico, Intermediário e Avançado. Simples assim! Não vejo necessidade, especialmente em HEMA de haver graduações inspiradas no Judô, mas sim no velho sistema de graduações que por quase mil anos perdurou na arte marcial suprema do Ocidente!



No mais é isso, fiquem com Deus e até a próxima!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Espada Montante (Zweihander)


Olá: hoje veremos um pouco sobre a espada Montante, aquela que foi a maior espada de todas, literalmente!



Ilustração de um espadachim empunhando uma Montante.


Origens
Zweihander (em alemão), Great Sword (em inglês), Spadone (em espanhol) e Montante (em português): vários são os nomes para definirem esse tipo de espada que ainda podem ser chamadas de “espada-lança”. A partir do século XIV os lanceiros e piqueiros (tropas de infantaria) passaram a sobrepujar em batalha os cavaleiros. Em resposta á isso, foi criada essa espada gigante, a Zweihander (“Duas Mãos” em alemão) que é a verdadeira espada longa! A criação dela parece se encontrar nas fronteiras atuais da Alemanha com a Suíça sendo que na época, dizia-se que a arma tinha as suas raízes no Sacro Império Romano-Germânico.
A espada se popularizou por causa dos mercenários chamados em português de “Lansquenetes”, que eram famosos por utilizarem a Zweihander em suas batalhas e que costumavam abater lanceiros/piqueiros e deixarem o campo de batalha ideal para que a cavalaria terminasse o serviço. Em poucos anos a Zweihander estaria espalhada por toda a Europa Ocidental onde em Portugal, receberia o nome de “Montante”.


Medidas
As Montantes tinham no mínimo: 1,5 metros de comprimento do pomo à ponta e 1,5 kg existindo modelos pesando e tendo maiores medidas. Alguns tipos de Montantes possuíam no ricasso duas “Parierhaken” (“ganchos de aparar” em alemão) que serviam como guardas-mãos para o espadachim que a utilizava.


Dois tipos de montantes, uma sem parierhaken e outra com.


Uso
Em campo de batalha, as Montantes eram utilizadas contra formações de lanceiros/piqueiros, onde os espadachins portando as espadas, cortavam as lanças para somente então atacarem os soldados inimigos!

Os últimos registros dessa espada em combate datam do século XVIII.

Uma curiosidade: existe um manuscrito alemão chamado “Goliath Fechtbuch” onde existe um capítulo inteiro escrito e com ilustrações mostrando como se utiliza a Montante em combate, vale á pena conferir!









Ilustrações do Goliath Fechtbuch.

Despedida
Eu espero que esse texto tenha sido esclarecedor para vocês! Fiquem com Deus e até mais!