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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Os Sete Ataques do Mestre Fiore dei Liberi

 

 

Olá! Neste artigo iremos abordar a figura do Mestre da Espada visto no manual Fior di Battaglia.

 

 

Os Sete Ataques

De acordo com o esquema abaixo, existem sete ataques da espada:

 


 

Esses sete ataques possuem nomes:

 

Sottani

São os dois golpes diagonais de baixo para cima.

 

Mezani

São os dois golpes médios.

 

Fendeti

São os dois golpes diagonais vindo de cima para baixo.

 

Le Punte

É a estocada.

 

 

Agora nós veremos uma tradução do texto do Fior di Battaglia à respeito desses Sete Ataques:

 

Colpi Fendeti (Golpes Descendentes)

 


Nós somos os golpes descendentes. Nessa arte, nosso método é cortar com precisão desde os dentes até o joelho. E podemos facilmente acabar em qualquer uma das guardas inferiores. Somos muito eficazes em quebrar as outras guardas e, a cada golpe que dermos, deixamos um rastro de sangue. Nós, os golpes descendentes, atacamos rapidamente, após o que voltamos à nossa guarda de volta por onde viemos.

 





Colpi Sottani (Golpes Ascendentes)

 


Nós somos os golpes ascendentes, e vamos do joelho ao meio da testa, seguindo o mesmo caminho que seguem os golpes descendentes. E voltamos pelo mesmo caminho que ascendemos, a menos que optemos por permanecer no alto, [isto é] na Guarda Longa [Posta Longa].

 







Colpi Mezani (Golpes Médios)

 


Somos os golpes médios, e somos assim chamados porque avançamos medianamente no meio do caminho tanto dos golpes descendentes quanto dos ascendentes. Golpeamos com o fio verdadeiro da espada pela direita e com o fio falso da espada pela esquerda, e nosso caminho pode ser em qualquer lugar entre o joelho e a cabeça.

 







Le Punte (A Estocada)

 


Nós somos as cruéis e mortais estocadas. Nosso alvo está na linha central do corpo e podemos acertar em qualquer lugar entre a virilha e a testa. E as estocadas podem ser feitas de cinco maneiras: dois de nós podem ser feitos a partir de guardas altas, um de cada lado [as duas Guardas de Janela - Posta di Finestra], e dois podem ser feitos a partir de guardas baixas, também um de cada lado [Portão de Ferro Baixo e Presa do Javali - Posta Porta di Ferro e Posta Dente di Cenghiaro]. O quinto vem de uma guarda de linha central, e pode ser feito do Portão de Ferro Médio [Posta Porta di Ferro Mezana], Guarda Longa [Posta Longa] ou Guarda Curta [Posta Breve].

 

 


Conclusão

Bom pessoal eu espero que esse artigo tenha sido útil para você! No canal do YouTube eu fiz um vídeo à respeito desses Sete Ataques do Mestre Fiore dei Liberi! Fiquem com Deus e com o vídeo abaixo apresentado e até a próxima!

 

 


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Meia-Espada: O Que É?

 


 

 

Olá! Hoje veremos sobre a meia-espada: um movimento que tem as suas raízes na escola alemã de esgrima e que foi mencionado até mesmo na obra “Os Lusíadas” de Camões!

 

 

O Movimento

“—"Eu só com meus vassalos, e com esta
(E dizendo isto arranca meia espada)
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei (não só estes adversários)
Mas quantos a meu Rei forem contrários."
” – Os Lusíadas, Canto IV, Estrofe 19

 

A meia-espada é um movimento que se divide em duas aplicações:

 

A primeira é visando desarmar o oponente, retirando a espada dele usando o movimento da tua espada para tanto.

 

Meia-espada no manuscrito Gladiatoria (MS_Germ.Quart.16). Observe como se busca desarmar o oponente com a meia-espada.

 

A segunda é utilizar o movimento e executar um golpe usando o pomo da tua espada na cabeça do adversário. É importante frisar que a meia-espada nesta segunda condição é utilizada contra um oponente usando arnês, isto é, armado da cabeça aos pés!

 

Observe a segunda forma de se utilizar a meia-espada na obra do mestre Talhoffer (MS_Thott.290.2º).

 

 

Conclusão

O movimento pode ser utilizado com espadas de uma mão quanto com espadas de duas mãos, sendo aconselhável esse último tipo de espada.

 

Fiquem com Deus e até a próxima!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Biografia: Alfred Hutton

  

Alfred Hutton nasceu em 1839 na cidade de Beverly, Yorkshire e veio a falecer em 1910 na cidade de Londres. Ele organizou diversas exibições de esgrima na Inglaterra e foi o principal responsável por revitalizar o interesse da população inglesa pela esgrima.

 


Militar de carreira subiu de postos nas forças armadas até atingir o topo de sua carreira, quando se tornou um capitão do King’s Dragoon Guard, uma das maiores tropas de elite do Reino Unido.

 

Hutton junto com amigos foi pioneiro na pesquisa e reprodução daquilo que mais tarde seria chamado de HEMA: Historical European Martial Arts.

 

Tentou sem sucesso fazer com que o sabre se tornasse novamente uma arma de serviço no exército britânico.

 

Foi um dos responsáveis por criar as regras da esgrima olímpica.

 

Escreveu quatro livros sobre esgrima: Cold Steel (1889), The Swordsman (1891), Old Sword Play (1892), e The Sword and the Centuries (1901). O mais importante para nós é o livro Old Sword Play, onde descreve técnicas de HEMA encontradas em manuais antigos.

Livro de HEMA escrito por Alfred Hutton

 

O interessante é que o local onde Hutton e os amigos se reuniam para discutir, pesquisar e reproduzir técnicas de HEMA era o mesmo local onde se praticava o Bartitsu, arte marcial que já abordamos neste artigo aqui.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Desmistificando: Conserto de Espadas Quebradas

 


 

Olá!

 

Neste artigo iremos desmistificar o conserto de espadas quebradas.

 

 

LOTR

Em LOTR (Lord Of The Rings), o Retorno do Rei, vemos o conserto de Narsil, a espada que havia pertencido ao grande rei Ellendil, o Alto e que havia sido quebrada na Batalha de Dagorlad (nos livros a espada quebrou quando Ellendil cai em cima da própria espada e nos filmes foi Sauron quem a destrói pisando-a): no filme vemos a famosa cena em que a espada é restaurada e isso gerou uma concepção errada de como se reparava uma lâmina quebrada.

 

 

Jeito Certo

A maneira correta de se reparar uma lâmina quebrada é cortar (ou terminar de quebrar) a lâmina em partes iguais e empilha-la. As partes empilhadas são postas em uma bolsa de couro que é envolta em palha e lama de terra, sendo logo á seguir posta no fogo e aquecidas. Após ser aquecida, o empilhado de pedaços de aço é martelado até se tornar uma massa só e a partir daí forja-se uma nova lâmina.

 

 

Conclusão

É isso, essa é a maneira correta de se reparar uma lâmina quebrada.

 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Eu Posso Ter Uma Espada Dentro da Lei?







Olá! Como colocado no título deste texto eu pretendo responder da maneira mais objetiva e direta possível se é possível ter uma espada dentro da lei (Lei do Brasil, de onde eu escrevo).





Base Legal

A base da lei no Brasil é a Constituição Federal que diz:

“Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” – Artigo 5º Parágrafo II.



Em outras palavras: para algo ser proibido, deve ser antes escrito na lei. Ponto.



No Brasil o Governo Federal é o único ao qual compete proibir ou restringir armamentos dentro do território nacional (Artigo 84) e sendo assim ele o faz através de uma lista conhecida como: “R-105”. Não vou me alongar mais nisso, digo apenas que quem criou o R-105 foi Getúlio Vargas, logo após ele ter ganho a guerra civil travada contra os paulistas (Revolução Constitucional de 32) e o objetivo é impedir que o Povo se arme e revolte-se contra a União.





Respondendo a Questão

Seja como for, o atual R-105 responde através do Decreto 10.030/2019 e nele NÃO HÁ restrições com relação a armas brancas ou espadas. Em resumo, respondendo a pergunta do título: você PODE ter a sua espada sim, dentro da lei, pois se não está descrita no R-105, automaticamente está permitido!



Compre a sua espada e seja feliz com ela!

Caso se interesse, eu fiz um vídeo sobre o tema mencionado aqui no blog, o áudio está em português do Brasil:






Fontes:



Constituição Federal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm





Atual R-105 (Decreto 10.030/2019): http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Decreto/D10030.htm

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Biografia&Manuais: Dom Diogo Gomes de Figueiredo



Olá! Hoje falarei sobre esse ilustre desconhecido da história de Portugal: Dom Diogo Gomes de Figueiredo, um dos maiores esgrimistas e comandantes militares do então Reino de Portugal.


Origens
Dom Diogo nasceu por volta de 1600 em Portugal (em plena era da União Ibérica), filho de Dom João Gomes Quaresma, foi um militar, mestre esgrimista e autor de tratados de esgrima.


Vida
Começou a sua carreira militar ainda em 1626, quando durante a sua ida para o combate, o seu navio naufragou na Gasconha (Reino da França).
O seu primeiro tratado de esgrima é o “Oplosophia e a Verdadeira Destreza das Armas” (escrito e publicado em 1628 – manuscrito MS Vermelho.nº.91), ), claramente um manual de esgrima baseado na “Destreza”, a esgrima praticada na Espanha com a rapiera.
Quando em 1/12/1640 o então duque de Bragança, Dom João, deu um golpe-de-estado separando o Reino de Portugal da Casa Habsburgo e tornando-se ele próprio rei como D.João IV (fundando a sua própria dinastia, a Casa Real de Bragança) D.Diogo ficou ao lado dos independentistas portugueses e serviu como mestre-de-campo (o equivalente a época como general) das hostes portuguesas contra os exércitos da Casa Habsburgo.
No ano de 1653, escreveu outro tratado de esgrima, o “Memorial da Prática da Montante” (manuscrito MS 49.III.20.nº.21) ) que é o manual mais usado em nossos dias para quem deseja aprender a lutar com uma espada Montante (também conhecida como “Great Sword” em inglês, “Spadone” em italiano e “Zweihander” em alemão), também conhecida como as 16 Regras e Contra-Regras de Figueiredo, onde ele exibe todo o seu conhecimento prático no manuseio da espada montante, a mais cultuada espada do Reino de Portugal durante os gloriosos dias da Casa de Avis. D.Diogo escreveu esse segundo tratado visando preservar o ensino desta espada e toda a cultura que havia sido desenvolvida em torno dela (uma cultura lusitana em contraponto à cultura espanhola).
Como militar D.Diogo foi bem-sucedido, participando como mestre-de-campo em três das cinco maiores vitórias de Portugal contra os Habsburgo, com destaque para as batalhas de Montijo, Linhas de Elvas e a defesa da Aldeia de Almeida.
Foi tutor do príncipe-herdeiro D.Teodósio (filho do rei D.João IV e de D.Luísa de Gusmão) que morreria antes de ser aclamado rei de Portugal (vítima da “Maldição dos Braganças”?): o Memorial da Prática do Montante foi escrito e dedicado ao príncipe.


Fim
Morreu no dia 30/09/1685, com mais de oitenta anos de idade (bastante senil para a época!). Foi sepultado no Mosteiro de Trinidade farto de dias e sabendo que a sua pátria estava em paz com a Espanha, além de vê-la livre dos Habsburgos ainda em vida.


LEIA TAMBÉM: A Montante (Zweihander)

LEIA TAMBÉM: Biografia&Manuais: O Rei D.Duarte I e a Sua Obra de HEMA

LEIA TAMBÉM: O Armamento dos Portugueses do Século XV

sábado, 16 de maio de 2020

Um Bom Local de Treino!





Olá! Este blog visa apresentar assuntos relacionados a HEMA (Historical European Martial Arts) e Cultura Marcial. Hoje, porém eu desejo falar sobre um assunto que é bastante diverso em opinião no meio das artes marciais: qual o local ideal para um bom treino?





A Origem do Termo Academia

O termo “academia” deriva de Acadamo, um jovem ateniense que morreu na flor da idade (jovem). No seu túmulo havia uma árvore, onde aos pés dela o filósofo Platão se reunia com os seus discípulos. O local ficou conhecido como “academia” (“local do Acadamo”). O termo se espalhou para o Ocidente (Europa) e depois para outros locais e civilizações!

Uma representação mosaica da Academia de Platão encontrada em Pompéia.





E Nas Artes Marciais?

O termo academia em artes marciais é comumente referido para um prédio ou sala, onde praticantes de uma determinada modalidade se reúnem com um instrutor/mestre dessa mesma modalidade para efetuarem o aprendizado e prática da mesma. Em resumo é isso.



Mas então quando vamos estudar a fundo a possibilidade de se praticar artes marciais em uma academia, vemos que muitos instrutores/mestres não possuem condições financeiras para pagar o aluguel, além de água, luz e telefone! E como então se dará o ensino-aprendizagem de artes marciais sem uma academia?



A internet, uma facilitadora de respostas nos mostra soluções criativas (ou nem tanto assim como veremos adiante): um instrutor efetua o ensino-aprendizagem de sua arte marcial em parques públicos, um outro ensina nos fundos de sua casa, outro ainda ensina em um quintal...

Mas e aí: será que uma arte marcial deixa de sê-la ou se torna mais marginalizada por não estar em uma academia?





Origens

Cada arte marcial tem a sua origem. O karatê (arte que já pratiquei e que amo) tem as suas origens no arquipélago Ryu Kyu, onde os seus primeiros praticantes o treinavam em locais fechados com medo de represálias dos governantes tirânicos do arquipélago. Alguns estilos de wu-shu (kung fu) tem as suas origens no Templo Shaolin. Outros como o boxe era praticado por aristocratas e pessoas comuns nas civilizações Minóica e Micênica em espaços abertos. Muito da esgrima surgiu em castelos, fortalezas e em locais mais ermos e espalhava-se a prática e ensino pelos mais diversos rincões do mundo. O krav maga surgiu nas ruas e casas da Península Balcânica nos anos 30 e 40. Essas são algumas origens históricas das artes marciais mais comuns e observem que nenhuma delas nasceu em uma academia tal qual a concebemos!



Assim, podemos observar que as artes marciais não nasceram nas academias, mas por razões comerciais, financeiras e sociais, elas foram para lá. Se você é instrutor/mestre de artes marciais e se constrange por não ter uma sala (mesmo que pequena) para ministrar a sua aula, eu sugiro que perca a sua vergonha e faça como os antigos: improvise em qualquer lugar! Claro, o local escolhido por sua pessoa não pode ser insalubre ou perigoso, pode ser como já dito: nos fundos da sua casa, em um quintal (com um solo firme) em um parque...



Bom, isso era tudo o que eu ia dizer neste artigo. Sobre o local para se praticar HEMA, eu falarei em outro artigo, até mais!

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A Posta di Fenestra




“Posta di Fenestra” traduzindo do italiano medieval, significaria algo como “Postura/Guarda da Janela” (Posta=Posição, guarda; Fenestra=Janela). Essa posição pode ser utilizada com espada longa e com lança e é assim descrita no manual Flos Duellatorum:



“Esta é a Posição/Guarda da Janela, que está sempre pronta para malícia e truques. Ela é mestra em proteger e ferir. Ela testa/experimenta com todas as guardas: tanto as altas guardas como as guardas baixas. E de uma guarda para a outra ela costuma ir enganando o companheiro. Colocando grandes estocadas e sabendo como quebrar e trocar esses jogos ela pode fazê-lo bem.”



Posta di Fenestra



Essa é a descrição encontrada no manual Florum Duellatorum á respeito da Posição/Guarda da Janela. E lembrando que ela pode ser utilizada não apenas com espada longa, mas também com a lança (onde ela pode ser utilizada para defender e contra-atacar)! Vejamos o que o texto diz sobre a Posta di Fenestra utilizada pela lança:



“Sou a nobre Posta di Fenestra à Direita, que quando estou batendo e ferindo estou sempre pronta, e uma lança longa me incomoda pouco. Também com a espada eu pude esperar a lança longa, permanecendo nesta guarda que repele todos os golpes (de estocadas) e os retarda. E eu posso trocar golpes e derrubá-los ao chão sem possibilidade de falhar.”


Posta di Fenestra sendo usada com Lança.




Fiquem com Deus e até a próxima!


LEIA TAMBÉM: Biografia&Manuais: Fiore dei Liberi

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Biografia&Manuais: Andre Liegniczer




Olá! Hoje conheceremos a biografia do mestre da esgrima Andre Liegniczer que apresenta em seus manuais, ensinos simples e diretos de como se deve lutar com a espada, espada e broquel, além de adaga, lança e luta agarrada (grappling).





Um Pouco Sobre Ele

Andre Liegniczer (Andres Lignitzer) foi um mestre de esgrima alemão do final do século XIV ou início do século XV. Seu nome pode significar que ele veio de Legnica, na Polônia. Ele tinha um irmão chamado Jacob Liegniczer, que também era mestre em esgrima, mas não há registro de nenhum tratado de luta que Jacob possa ter sido o autor.




Localização de Legnica na Polônia






O único outro fato que pode ser determinado sobre a vida de Liegniczer é que sua fama como mestre foi suficiente para Paulus Kal incluí-lo, junto com seu irmão, em sua lista de membros da Irmandade de Liechtenauer em 1470. Um Andres Juden (Andres, o judeu) é mencionado como um mestre associado a Liechtenauer no tratado Pol Hausbuch, e o Codex Speyer contém um guia para a conversão entre técnicas de espada longa e Messer escritas por um "Magister Andreas" (“Mestre Andre”). Atualmente, não se sabe se um desses mestres é Liegniczer.





A Obra de Andre Liegniczer

Andre Liegniczer é mais conhecido por seus ensinamentos sobre espada e broquel, e algumas variações deste breve tratado estão incluídas em muitos textos de compilação da Tradição Liechtenauer. Ele também escreveu tratados sobre esgrima com espada curta, adaga e luta agarrada, embora estes apareçam com menos frequência. Os ensinamentos da espada e da lança de Liegniczer às vezes são atribuídos a Sigmund ain Ringeck devido à sua inclusão não atribuída no manual de sigla MS Dresden C.487, mas isso é claramente incorreto.

Enquanto a vida precisa de Liegniczer é incerta, ele parece ter morrido algum tempo antes da criação do Codex Danzig em 1452.


Seja como for, hoje em dia é possível obter os seus ensinamentos facilmente na internet e praticá-los: os seus textos são objetivos e direto ao ponto, sendo facilmente aprendidos e ainda mais facilmente aplicados!


LEIA TAMBÉM Biografia&Manuais: Fiore dei Liberi


LEIA TAMBÉM Biografia&Manuais: Walpurgis Fechtbuch

segunda-feira, 23 de março de 2020

As Virtudes do Espadachim (de Acordo com Fiore)




Olá! Hoje eu desejo falar sobre a página (folio) 32r do manuscrito Ludwig XV_13 do Flos Duellatorum. Nessa referida página (folio) existem os Sete Golpes da Espada e as Quatro Virtudes do Espadachim. Falarei sobre as virtudes neste artigo.








As Virtudes

São Quatro as Virtudes de um bom espadachim de acordo com o mestre Fiore dei Liberi:



·        Prudência

·        Velocidade (ou Celeridade)

·        Força

·        Coragem



Cada Virtude é representada por um animal e por uma descrição poética, porém objetiva.





“Nenhuma criatura enxerga melhor do que eu o Lince. Eu sempre defino as coisas de agora com direção e (boa) medida.”


“Eu o Tigre sou tão rápido em correr e percorrer que mesmo um raio do céu não pode me ultrapassar.”


“Eu sou o Elefante e eu carrego um castelo como minha carga. E eu não me ajoelho ou perco o meu pé.”


“Ninguém carrega um coração mais ardente que o meu, o Leão. Mas para todos eu faço um convite para a batalha.”





Bom, eu espero que tenham aprendido! Fiquem com Deus e até a próxima!

segunda-feira, 9 de março de 2020

Esgrima Histórica: Uma Introdução




Olá! Hoje eu falarei sobre a esgrima histórica, as suas origens e para onde ela caminha.


Extrato do manual de esgrima histórica "Flos Duellatorum".





Introdução

O termo “esgrima” deriva do dialeto provençal (um dialeto da região da Provença no sul da França) e significa “defesa”. Em inglês existe o termo “fencing”, um diminutivo de “defencing” (“defesa”): sendo assim, esgrima é a capacidade de alguém se defender. Porém por milênios a melhor arma para defesa pessoal no Ocidente foi a espada, sendo assim se tornou natural que ela se tornasse o instrumento de defesa pessoal usado no aprendizado da esgrima (“defesa”) ao invés da lança, do machado ou mesmo do punhal.





Historicidade

A esgrima histórica sempre existiu ao longo da história (desculpem a redundância) sendo que a partir do século XVII ela foi reduzida (na Europa Ocidental) á lutas envolvendo a rapiera e similares. Somente na virada dos séculos XIX e XX é que iniciou-se na Inglaterra um movimento de resgate da esgrima histórica capitaneado por Alfred Hutton e assim para diferenciar a esgrima olímpica da esgrima histórica foi criada há alguns anos essa diferenciação terminológica.



A esgrima olímpica é um esporte: ela perdeu a sua capacidade de esgrima (“defesa”) porém a esgrima histórica manteve e sempre manterá as suas características próprias de esgrima.





Como Estudar?

No Brasil, nos grandes centros urbanos (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre...) existem grupos de estudos que visam estudar a esgrima histórica, porém pode ser que não exista próximo de sua casa um desses grupos, o que fazer? Eu sugiro que você estude sozinho: hoje em dia existem manuais gratuitos de HEMA (Historical European Martial Arts) espalhados pela internet com um material historicamente autêntico e fiel. Um bom ponto de partida é a Wiktenauer (www.wiktenauer.com): lá você poderá encontrar vários desses manuais escritos em suas respectivas línguas medievais e até traduções para o inglês e o francês!



Caso deseje estudar material em língua portuguesa, este blog se propõe a estudar não apenas esgrima histórica, mas outros tipos de artes marciais históricas europeias (AMHE). Temos também um canal no YouTube, basta digitar “Casa dos Cavaleiros” por lá ou simplesmente clicar aqui e ir direto para lá.





Bom, eu espero que este texto tenha sido esclarecedor! Fiquem com Deus e até mais!

segunda-feira, 2 de março de 2020

Como Usar um Gládio (Gladius)?




Olá! Neste texto eu pretendo responder uma questão: como se utiliza um gládio (ou gladius, caso você queira manter a pronúncia original) em combate? Vamos às respostas?

O meu gládio!




Contexto

Em outro texto (este aqui) eu mencionei que havia dois tipos de espadas: as que se usavam com escudo e as que não se utilizavam com escudo. O gládio é uma espada que se usa com escudo. Tendo isso em mente, fica mais fácil de entender que ele é usado para ações estritamente ofensivas enquanto que o escudo deverá ser usado para movimentos defensivos. Além disso, os romanos nos tempos das Legiões Pré-Mariano, Pós-Mariano e Pós-Augusto (que você poderá ler clicando aqui) lutavam em grupos chamados de manipulus ou centúria (dependendo da época): eles NÃO travavam combates individuais nos campos de batalha.



Essa é a base tática de uma luta onde e qual o contexto você deverá usar um gládio. Mas agora vamos aos dois modos de se utilizar a espada.





Respaldo Histórico

“[Ele] Retalhou o primeiro que encontrou e avançou muito (...) até o momento em que foi detido por um golpe de espada na boca tão violento que a ponta da arma saiu por cima de sua nuca.” – Alexandre e César, Vidas Paralelas – César, capítulo XLIV, verso 12.



Essa citação, retirada da obra de Plutarco de Queronéia, nos mostra os dois usos do gládio em combate: o primeiro é através dos golpes de retalhos (cortes, se você preferir) e o segundo é através de golpes de estocada.



Essas são as duas maneiras de se utilizar o gládio. Eu poderia parar por aqui, mas eu pretendo dar-lhes alguns detalhes extras que farão toda a diferença.





Onde Atingir?

O gládio essencialmente foi desenhado para um melhor desempenho em estocadas. Ele é bom em cortes, porém é na perfuração que ele se destaca! Sendo assim, existem dois pontos fundamentais onde a espada pode estocar um adversário: o primeiro é no abdômen e o segundo ponto é na garganta. O gládio pode ser utilizado para estocar outros pontos, porém é nesses dois que ele causa mais estragos.



Eu tenho um gládio e treino há cerca de um ano com ele e cheguei à conclusão de que ele é uma arma boa para golpes de estocada, além de eu ter treinado golpes dirigidos á garganta e ao abdômen.





Conclusão

Muita gente fala do gládio, porém ninguém faz um texto explicando como usá-lo! Eu espero que você tenha aprendido como usar essa espada que fez história! Fiquem com Deus e até a próxima!

LEIA TAMBÉM: Gládio (Gladius): Uma Introdução.

LEIA TAMBÉM: Tipos de Espadas Existentes.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Espada Montante (Zweihander)


Olá: hoje veremos um pouco sobre a espada Montante, aquela que foi a maior espada de todas, literalmente!



Ilustração de um espadachim empunhando uma Montante.


Origens
Zweihander (em alemão), Great Sword (em inglês), Spadone (em espanhol) e Montante (em português): vários são os nomes para definirem esse tipo de espada que ainda podem ser chamadas de “espada-lança”. A partir do século XIV os lanceiros e piqueiros (tropas de infantaria) passaram a sobrepujar em batalha os cavaleiros. Em resposta á isso, foi criada essa espada gigante, a Zweihander (“Duas Mãos” em alemão) que é a verdadeira espada longa! A criação dela parece se encontrar nas fronteiras atuais da Alemanha com a Suíça sendo que na época, dizia-se que a arma tinha as suas raízes no Sacro Império Romano-Germânico.
A espada se popularizou por causa dos mercenários chamados em português de “Lansquenetes”, que eram famosos por utilizarem a Zweihander em suas batalhas e que costumavam abater lanceiros/piqueiros e deixarem o campo de batalha ideal para que a cavalaria terminasse o serviço. Em poucos anos a Zweihander estaria espalhada por toda a Europa Ocidental onde em Portugal, receberia o nome de “Montante”.


Medidas
As Montantes tinham no mínimo: 1,5 metros de comprimento do pomo à ponta e 1,5 kg existindo modelos pesando e tendo maiores medidas. Alguns tipos de Montantes possuíam no ricasso duas “Parierhaken” (“ganchos de aparar” em alemão) que serviam como guardas-mãos para o espadachim que a utilizava.


Dois tipos de montantes, uma sem parierhaken e outra com.


Uso
Em campo de batalha, as Montantes eram utilizadas contra formações de lanceiros/piqueiros, onde os espadachins portando as espadas, cortavam as lanças para somente então atacarem os soldados inimigos!

Os últimos registros dessa espada em combate datam do século XVIII.

Uma curiosidade: existe um manuscrito alemão chamado “Goliath Fechtbuch” onde existe um capítulo inteiro escrito e com ilustrações mostrando como se utiliza a Montante em combate, vale á pena conferir!









Ilustrações do Goliath Fechtbuch.

Despedida
Eu espero que esse texto tenha sido esclarecedor para vocês! Fiquem com Deus e até mais!