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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Pode Um Cristão Ser Um Guerreiro?

 


 

Olá! Eu recebo quase que diariamente visitas de diversos locais do mundo neste blog. Nunca me perguntaram sobre cristãos armados, porém eu resolvi me antecipar a essa questão e escrever sobre isso.

 

 

Introdução

De forma direta eu respondo a pergunta do título deste artigo: pode e deve! Mas antes de me acusar sobre ser um cara violento, eu digo que você deveria ler todo o meu texto para então tomar a decisão de refutá-lo ou não.

 

 

Cristãos Armados?

"Então Jesus lhes perguntou: ‘Quando eu os enviei sem bolsa, saco de viagem ou sandálias, faltou-lhes alguma coisa?’ ‘Nada’, responderam eles.

Ele lhes disse: ‘Mas agora, se vocês têm bolsa, levem-na, e também o saco de viagem; e se não têm espada, vendam a sua capa e comprem uma.

Está escrito: ‘E ele foi contado com os transgressores’; e eu lhes digo que isto precisa cumprir-se em mim. Sim, o que está escrito a meu respeito está para se cumprir’.

Os discípulos disseram: ‘Vê, Senhor, aqui estão duas espadas’. ‘É o suficiente!’, respondeu ele." - Lucas 22:35-38 NVI

 

A Bíblia Sagrada é o manual de Fé do cristão: nada, nenhum ensino pode ser maior do que ela. Nenhuma profecia pode anular o que nela está escrita. Nenhum líder/chefe religioso pode acrescentar ou retirar algo dela, sob pena de ser amaldiçoado (Apocalipse 22.18-19)!

 

A Bíblia Sagrada nos dá essa ordem e que partiu da boca do próprio Jesus em pessoa! Em muitas bíblias está escrito no verso 38 do capítulo 22 de Lucas: “basta”, porém na NVI o termo já vem corrigido para “é o suficiente” que é a tradução mais correta. Isso já encerraria a pergunta-título deste texto, porém é necessário formular um corpo bíblico de moral que envolva a auto-defesa do cristão. Vamos a esse corpo?

 

 

Auto-Defesa

Em Êxodo 22.2-3 está escrito:

Se o ladrão que for pego arrombando for ferido e morrer, quem o feriu não será culpado de homicídio, mas se isso acontecer depois do nascer do sol, será culpado de homicídio. Um ladrão terá que restituir o que roubou, mas se não tiver nada, será vendido para pagar o roubo.

 

Vemos aqui que desde o Antigo Testamento, Deus dava ao Seu Povo o Direito de Defender a sua propriedade privada! Se o assalto fosse de noite, o hebreu poderia matar o assaltante que diante de Deus não haveria a culpa do sangue!

 

Isso teoricamente vai contra o que está escrito em Mateus 5.10-12:

 

‘Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.’

‘Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.

Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês’.

 

Porém lendo o texto de maneira mais atenta, vemos que os termos, “insultarem” e “calúnia” são utilizados na parte central do texto. Ou seja: agressões verbais! Em outras palavras: se formos agredidos verbalmente, devemos nos regozijar! Note que em momento algum o texto fala de agressão física. Ou seja: você não pode agredir uma pessoa que te insultou por causa da Fé! Você deve suportar e até ficar feliz por isso! Porém subentende-se em Lucas 22.36 que devemos cuidar de nossa defesa pessoal quando somos ameaçados fisicamente.

Baseado na Bíblia Sagrada, devemos nos abster de responder ofensas verbais e somente responder a violências físicas quando elas se processarem.

 

Além disso, a Bíblia estimula homens a serem os defensores de sua casa:

 

Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela– Efésios 5.25

 

Devemos dar a nossa vida por nossas esposas como oferta agradável ao Senhor! E se estivermos armados, melhor ainda!

 

Além disso, o próprio Jesus admite que um homem forte é difícil de ser roubado:

 

De fato, ninguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali os seus bens, sem que antes o amarre. Só então poderá roubar a casa dele.– Marcos 3.27

 

Jesus morreu como Cordeiro, ressuscitou como Leão e voltará como Adonai Tsavaoth, isto é, o Senhor dos Exércitos! (Apocalipse 19.11-21)

 

O teu Deus é guerreiro, cristão, portanto seja você também um guerreiro!

 

Independente de onde você estiver, poderá se quiser traduzir e publicar onde desejar este texto, desde que seja citada a fonte. Fiquem com Deus e até a próxima!

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Meia-Espada: O Que É?

 


 

 

Olá! Hoje veremos sobre a meia-espada: um movimento que tem as suas raízes na escola alemã de esgrima e que foi mencionado até mesmo na obra “Os Lusíadas” de Camões!

 

 

O Movimento

—"Eu só com meus vassalos, e com esta
(E dizendo isto arranca meia espada)
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei (não só estes adversários)
Mas quantos a meu Rei forem contrários."
” – Os Lusíadas, Canto IV, Estrofe 19

 

A meia-espada é um movimento que se divide em duas aplicações:

 

A primeira é visando desarmar o oponente, retirando a espada dele usando o movimento da tua espada para tanto.

 

Meia-espada no manuscrito Gladiatoria (MS_Germ.Quart.16). Observe como se busca desarmar o oponente com a meia-espada.

 

A segunda é utilizar o movimento e executar um golpe usando o pomo da tua espada na cabeça do adversário. É importante frisar que a meia-espada nesta segunda condição é utilizada contra um oponente usando arnês, isto é, armado da cabeça aos pés!

 

Observe a segunda forma de se utilizar a meia-espada na obra do mestre Talhoffer (MS_Thott.290.2º).

 

 

Conclusão

O movimento pode ser utilizado com espadas de uma mão quanto com espadas de duas mãos, sendo aconselhável esse último tipo de espada.

 

Fiquem com Deus e até a próxima!

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A Visão em Cone

 

 

Nas artes marciais, sobretudo aquelas em que se pratica como esporte é comum sermos estimulados a termos uma “visão em cone”, mas o que seria isso?

 

 

Visão em Cone

A dita visão nada mais é do que uma reação do sistema neurológico que em conjunto com químicos, gera em nós a capacidade de focar a nossa vista em apenas uma ameaça por vez. Normalmente a nossa visão abrange até 70º Graus de periferia, porém a “visão em cone” quando ativada, nos faz ter não mais que 3º Graus de visão, o que nos deixa em desvantagem caso sejamos atacados por mais de um cara!

Em muitos treinos de HEMA (Historical European Martial Arts) vemos que a visão em cone é estimulada, pois os dois praticantes ficam focados apenas em duelar um com o outro e não prestam atenção no ambiente ao redor!



Observem no gráfico acima como funciona a visão periférica (em estado normal, 70º) e a visão em cone (3º).

 

 

Solução?

A resposta para a visão em cone é justamente nos reeducarmos com o passar do tempo, isto é: lembrar que podemos ser atacados por mais de um sujeito e por mais de uma direção e durante uma situação de treino tentar nos focar não apenas no nosso oponente, mas também no ambiente ao redor!

 

 

LEIA TAMBÉM: Um Bom Local de Treino!

 

LEIA TAMBÉM: O Que É HEMA?

sábado, 30 de maio de 2020

Quão Perto É Tão Perto?




Olá! Neste texto irei publicar em primeira mão uma tradução do famoso artigo do então sargento Dennis Tueller, artigo este publicado em Março de 1983 na SWAT Magazine. Neste artigo (“How Close is Too Close?”) é discutido pela primeira vez qual é a distância mínima de segurança que um policial possui em relação a um possível atacante com armas brancas. O resultado você confere abaixo e que deu origem a famosa Regra dos 21 Pés de Tueller!



Quão Perto É Tão Perto?


por Dennis Tueller


O "mocinho" com a arma contra o "bandido" com a faca (ou facão, machado, taco, ferro de passar, etc.). "Não há como disputar", você diz. "O homem com a arma não pode perder." Ou ele pode? Depende muito da habilidade dele com a arma e da proximidade do oponente.

Se, por exemplo, nosso herói atirar em seu possível atacante a uma distância de 20 metros, ele perde. Não é a luta, você entende, mas provavelmente a liberdade dele, porque ele quase certamente será acusado de assassinato. A única coisa que justifica que você atire em outro ser humano é a necessidade imediata de impedi-lo de tentar matar você (ou outra pessoa), lembra?

Se, por outro lado, nosso herói esperar para disparar até que seu atacante esteja a uma distância óbvia de ataque, ele ainda poderá perder. Seus tiros podem não impedir seu atacante instantaneamente o suficiente para impedi-lo de usar sua faca.

Então, qual é a resposta - quão perto está perto demais?

Considere isto. Quanto tempo leva para você sacar sua arma e colocar dois acertos centrais em um alvo do tamanho de um homem a sete metros? Aqueles de nós que aprenderam e praticaram técnicas adequadas de pistola diriam que um tempo de cerca de um segundo e meio é aceitável para essa prática.

> Com isso em mente, vamos considerar o que pode ser chamado de "Zona de Perigo" se você for confrontado por um adversário armado com uma arma afiada ou sem corte. A que distância esse adversário entra na sua Zona de Perigo e se torna uma ameaça letal para você?

Recentemente, fizemos alguns testes nesse sentido e descobrimos que um homem adulto saudável e médio pode cobrir a distância tradicional de sete jardas em um período de (você adivinhou) cerca de um segundo e meio. Seria seguro dizer que um atacante armado a 6 metros está bem dentro da sua Zona de Perigo.



  











Como a série de fotos ilustra, mesmo que seu desenho e suas fotos sejam perfeitos, você está cortando coisas muito perto (sem trocadilhos). E mesmo que seus tiros tirem o “vento das velas” (da embarcação) dele, seu impulso para a frente pode carregá-lo por cima de você, a menos que, é claro, você consiga sair do caminho dele. E se você for confrontado com mais de um agressor, as coisas realmente ficam complicadas. Então, o que uma pessoa que carrega uma pistola deve fazer?

Após analisar o problema, as seguintes sugestões vêm à mente: Primeiro, desenvolva e mantenha um nível saudável de alerta tático. Se você detectar os sinais de perigo com antecedência, provavelmente poderá evitar o confronto completamente. Uma retirada tática (hesito em usar a palavra "retirada") pode ser sua melhor aposta, a menos que você esteja ansioso para se envolver em um tiroteio e as conseqüentes dificuldades legais que certamente se seguirão.

Em seguida, se o seu "Sistema de Alerta Precoce" lhe disser que um possível confronto letal é iminente, você deve se colocar na melhor posição tática disponível. Você deve se mover tentando se proteger (se houver algum objeto por perto), sacar a sua arma e começar a planejar seu próximo movimento.

Por que usar uma cobertura, você pode se perguntar, se o atacante está usando apenas uma faca? Porque você quer dificultar que ele chegue até você. Qualquer coisa entre você e seu atacante (latas de lixo, veículos, móveis, etc.) que o atrapalha por mais tempo para você tomar as decisões apropriadas e, se necessário, mais tempo para dar seus tiros.

Eu sugiro que você puxe sua arma assim que o perigo existir claramente. Não faz sentido esperar até o último segundo possível para jogar o "Quick-Draw McGraw" se você reconhecer a ameaça logo no início. Além disso, a visão do seu "Equalizador" pode ser suficiente para encerrar a ação naquele momento.

O objetivo da pistola é parar as brigas, e se o faz deixando cair um bandido em suas trilhas ou fazendo com que ele dê meia-volta e corra, seu objetivo é alcançado, não é?

Nesse ponto, pode ser aconselhável emitir um desafio verbal, como "Pare", "Não se mexa" ou "Largue a arma!" Pode funcionar, e mesmo que não funcione, você estará desenvolvendo seu processo legal de autodefesa, mostrando que fez tudo o que pôde para impedir um tiroteio. Se tudo correr conforme o planejado, as chances são de que agora você não terá mais um problema, já que seu atacante lembrou que ele teve um compromisso mais premente em outro lugar.

Mas, como todos sabemos, as coisas raramente vão de acordo com o plano e as circunstâncias ideais descritas anteriormente provavelmente não são a norma. Por exemplo, se esse tonto tenta jogar sua faca (ou outra arma) em você, o que você faz então?

Realisticamente, atirar facas é uma espécie de truque circense que exige facas especialmente equilibradas e uma distância pré-medida do alvo. Basta dizer, no entanto, que se o atacante estiver dentro do alcance efetivo de arremesso, ele quase certamente terá invadido sua Zona de Perigo. Esse negócio de arremessar cria um problema de tempo, pois, se você atirar depois que ele jogou sua arma, poderá ter dificuldade em convencer um júri de que você disparou em legítima defesa, já que tecnicamente você não estava em risco se seu ex-atacante não estava mais na posse de uma arma mortal. Algo a considerar e apenas mais um motivo para usar a cobertura, se disponível e se o tempo permitir.

Em algum momento, é claro, apesar dos seus melhores esforços, você poderá descobrir que de repente, de perto, é vítima pretendida de algum assassino lunático. Se você é especialista em uma das muitas artes marciais, pode optar por fazê-lo corpo a corpo e, se estiver nessa categoria, não precisará de conselhos meus sobre como fazê-lo. Então, voltaremos ao uso da pistola para resolver o problema. O que tudo se resume agora é a sua capacidade de sacar sua pistola de maneira suave e rápida e acertar seu adversário, e fazer tudo reflexivamente. E a única maneira de desenvolver esses reflexos é através da prática consistente e repetitiva, prática, prática.

Pratique para que o movimento certo ocorra automaticamente.

Uma coisa que você deve praticar, com esse tipo de encontro em mente, é a técnica de retrocesso, na qual você dá um longo passo para trás enquanto faz o saque. Isso coloca mais um a três pés entre você e seu atacante, o que pode ser apenas o suficiente para fazer a diferença.

Lembre-se, quanto maior a sua habilidade com a sua arma, menor será sua Zona de Perigo, mas somente se essa habilidade for associada a um bom condicionamento mental, planejamento tático e alerta, porque nenhuma quantidade de habilidade será útil a menos que você saiba que você está com problemas.

Habilidade nos braços e atitude mental adequada. essa é a combinação que fará de você o vencedor de um "Encontro Imediato do Tipo Cortante".



Tradução feita a partir do artigo retirado de: http://www.theppsc.org/Staff_Views/Tueller/How.Close.htm, visitado em 18/05/2020

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Análise do Livro: Tonfá




Olá! Neste artigo eu irei analisar o livro “Tonfá” de autoria de J.R.R Abrahão e Ricardo Nakayama e junto com as análises dos livros “Filosofia do Combate” e “Defesa com Facas”, finalizar o parecer desses tesouros literários das artes marciais!

Capa do livro "Tonfá".






O Livro

“Tonfá” foi escrito e publicado no início do século XXI, assim como os outros dois livros já citados. Ele está disponível em formato *.pdf e é gratuito.

O livro em si trata das técnicas usando a tonfá, mas não apenas isso: os textos dão subsídios para que agentes da lei saibam como, quando e de que maneira se deve utilizar a ferramenta. A parte tática da arma e também de como se deve abordar um suspeito é levantada no livro!





Tipo de Público

Recomendado para todo aquele que trabalha com segurança, seja privado, patrimonial ou mesmo como policial, mas nada impede que cidadãos comuns o leia e tire proveito do mesmo, afinal como já dito, o livro aborda também táticas muito úteis em diversas situações e cenários!





Conclusão

Recomendo esse livro, assim como os outros dois! Juntos eles formam um tesouro inestimável na formação de um “guerreiro brasileiro do século XXI”!




LEIA TAMBÉM: Análise de Livro: Filosofia do Combate



LEIA TAMBÉM: Análise de Livro: Defesa com Facas

sábado, 16 de maio de 2020

Um Bom Local de Treino!





Olá! Este blog visa apresentar assuntos relacionados a HEMA (Historical European Martial Arts) e Cultura Marcial. Hoje, porém eu desejo falar sobre um assunto que é bastante diverso em opinião no meio das artes marciais: qual o local ideal para um bom treino?





A Origem do Termo Academia

O termo “academia” deriva de Acadamo, um jovem ateniense que morreu na flor da idade (jovem). No seu túmulo havia uma árvore, onde aos pés dela o filósofo Platão se reunia com os seus discípulos. O local ficou conhecido como “academia” (“local do Acadamo”). O termo se espalhou para o Ocidente (Europa) e depois para outros locais e civilizações!

Uma representação mosaica da Academia de Platão encontrada em Pompéia.





E Nas Artes Marciais?

O termo academia em artes marciais é comumente referido para um prédio ou sala, onde praticantes de uma determinada modalidade se reúnem com um instrutor/mestre dessa mesma modalidade para efetuarem o aprendizado e prática da mesma. Em resumo é isso.



Mas então quando vamos estudar a fundo a possibilidade de se praticar artes marciais em uma academia, vemos que muitos instrutores/mestres não possuem condições financeiras para pagar o aluguel, além de água, luz e telefone! E como então se dará o ensino-aprendizagem de artes marciais sem uma academia?



A internet, uma facilitadora de respostas nos mostra soluções criativas (ou nem tanto assim como veremos adiante): um instrutor efetua o ensino-aprendizagem de sua arte marcial em parques públicos, um outro ensina nos fundos de sua casa, outro ainda ensina em um quintal...

Mas e aí: será que uma arte marcial deixa de sê-la ou se torna mais marginalizada por não estar em uma academia?





Origens

Cada arte marcial tem a sua origem. O karatê (arte que já pratiquei e que amo) tem as suas origens no arquipélago Ryu Kyu, onde os seus primeiros praticantes o treinavam em locais fechados com medo de represálias dos governantes tirânicos do arquipélago. Alguns estilos de wu-shu (kung fu) tem as suas origens no Templo Shaolin. Outros como o boxe era praticado por aristocratas e pessoas comuns nas civilizações Minóica e Micênica em espaços abertos. Muito da esgrima surgiu em castelos, fortalezas e em locais mais ermos e espalhava-se a prática e ensino pelos mais diversos rincões do mundo. O krav maga surgiu nas ruas e casas da Península Balcânica nos anos 30 e 40. Essas são algumas origens históricas das artes marciais mais comuns e observem que nenhuma delas nasceu em uma academia tal qual a concebemos!



Assim, podemos observar que as artes marciais não nasceram nas academias, mas por razões comerciais, financeiras e sociais, elas foram para lá. Se você é instrutor/mestre de artes marciais e se constrange por não ter uma sala (mesmo que pequena) para ministrar a sua aula, eu sugiro que perca a sua vergonha e faça como os antigos: improvise em qualquer lugar! Claro, o local escolhido por sua pessoa não pode ser insalubre ou perigoso, pode ser como já dito: nos fundos da sua casa, em um quintal (com um solo firme) em um parque...



Bom, isso era tudo o que eu ia dizer neste artigo. Sobre o local para se praticar HEMA, eu falarei em outro artigo, até mais!

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Análise do Livro: Defesa com Facas



Olá! Neste texto irei analisar o livro “Defesa com Facas”, escrito por J.R.R Abrahão (que escreveu o livro “Filosofia do Combate”, que eu já analisei aqui), Ricardo Nakayama e Pedro Cavalcanti. Este foi o primeiro material escrito em língua portuguesa no Brasil (publicado entre 2002 e 2003) a falar do tema e é referência no estudo da luta e defesa envolvendo facas: ele é gratuito e pode ser baixado na internet.





O Livro

O material é bem didático com linguagem simples, objetiva e direta, tendo fotos e ilustrações que demonstram as técnicas e complementam o texto, o que facilita e aumenta o aprendizado!

O livro se preocupa em não apenas ensinar técnicas de luta e defesa com facas, mas também fornece subsídios morais e intelectuais para que pessoas comuns e praticantes de artes marciais possam portar facas sem problemas de consciência: a parte legal envolvendo o porte de faca também foi apresentada no livro.





Conclusão

O livro é obrigatório para quem deseja aprender sobre luta e defesa com facas e mesmo os que como eu já são introduzidos na Defesa com Facas, existe muito o que se aproveitar das técnicas e reflexões que o livro oferece: eu levei cerca de quatro anos para aprender a lutar com facas de maneira auto-didata com o auxílio de artigos e vídeos; com o livro Defesa com Facas em apenas três meses de leitura e prática eu aprendi de novo o que eu já sabia e descobri novas coisas com relação a essa prática marcial!

Eu sugiro que baixe, leia e pratique os ensinamentos do livro e ficarás preparado para defenderes a tua vida com facas e de ataques envolvendo facas!



LEIA TAMBÉM: Análise de Livro: Filosofia do Combate


LEIA TAMBÉM: Análise do Livro: Tonfá.


LEIA TAMBÉM: Esgrima Histórica: Uma Introdução


LEIA TAMBÉM: Facas: As Ferramentas Boas Para Defesa

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Análise do Livro: Filosofia do Combate




Olá! Como está no título eu estarei analisando em primeira mão o livro Filosofia do Combate, de autoria de J.R.R Abrahão, um livro que considero importante para quem deseja se tornar um guerreiro não apenas no corpo, mas também na alma!


Capa do livro Filosofia do Combate.





Um Pouco Sobre o Livro

O livro Filosofia do Combate foi escrito entre os anos de 2003 e 2004 sendo publicado pela Editora Supervirtual, que já havia publicado outros títulos do autor (“Tonfá” e “Defesa Com Facas” que em breve serão analisados por aqui no Blog, aguarde!). O livro é gratuito e encontra-se disponível para download sendo ele em formato *.pdf.





O Livro Em Si

O livro visa formar um cidadão comum (independente de religião e gradiente político) em uma pessoa com a mentalidade correta de um guerreiro (atenção: guerreiro, não um briguento ou encrenqueiro!) que sempre está pronto para as adversidades do dia-a-dia que a criminalidade nos impõe!

Por toda parte encontram-se vastas citações que personagens ilustres e não-ilustres fizeram ao longo da História. É exibido a princípio, como o desarmamento sempre ocorre antes de um genocídio: essas informações são colocadas em gráficos com citação de fontes!

O autor alerta (isso entre 2003 e 2004) como a política de desarmamento da população civil é fraudulenta e que apenas pioraria a situação da segurança pública/individual, o que se provou correto mais de quinze anos depois.



O autor também expõe o Semáforo de Cores, uma ferramenta extremamente útil para quem deseja ser prevenido, além de comentar sobre a personalidade dos criminosos e como eles são maléficos para a Sociedade de bem.

Alguns capítulos são inspirados nas características desejadas á um bom combatente: Vigilância, Decisão, Agressividade, Velocidade, Frieza, Crueldade e Surpresa. Ao todo são treze capítulos onde além das características citadinas, também são abordados outros aspectos intelectuais e sociais que permeiam a segurança pública e a segurança individual.





Contras

Eu tenho dois contras: o primeiro é o fato de que algumas informações estão desatualizadas, o que é normal vindo de um e-book escrito entre 2003 e 2004, porém a segunda coisa que eu tenho contra este livro é a citação reproduzida de autoria de Carlos Marighela, um conhecido terrorista de Esquerda que ceifou vidas e que visava impor uma Ditadura Marxista aos moldes de Cuba aqui no Brasil! Marighela é o autor do polêmico tratado “O Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano” onde ensina sequestros, como fazer bombas, como e porque torturar dissidentes...





Conclusão

Apesar dos contras é um livro indispensável para brasileiros e falantes de língua portuguesa por causa do bom embasamento e da proposta de criar em nós, pessoas comuns, a cultura do guerreiro! Muito do que o autor escreveu no livro, este que vos escreve já praticou e pratica no seu dia-a-dia: se eu tivesse lido esse livro, Filosofia do Combate, há uns dez ou quinze anos atrás, a minha vida teria tomado outro rumo...



Por isso eu o recomendo: leitura gostosa, texto objetivo, linguagem clara e direta além de dados com citações de fontes, além de um compêndio de artigos estimulando o cidadão comum e de bem, a estudar assuntos correlatos á segurança individual.

Eu o li em quatro dias, respeitando o tempo necessário para análise de dados e fatos, além de meditação em cima do que era lido.


LEIA TAMBÉM: Análise do Livro: Tonfá

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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Aegis (Égide)


Aegis (Égide).




Aegis ou égide em português tem as suas origens no mito de Perseu e a Medusa: após decepar a Medusa, o herói passou a usar a cabeça da criatura como arma para petrificar os seus inimigos.

Perseu e a cabeça da Medusa.




Após completar a sua missão, Perseu ofertou para Atena a cabeça de Medusa e a deusa passou a valer-se da mesma para a sua defesa.

Égide no peitoral de Atena.


Assim os guerreiros helênicos (gregos) passaram a valerem-se da "aegis" ("égide"): um amuleto em forma da cabeça da Medusa que era colocado na parte superior do torex (peitoral da armadura) e assim supostamente o usuário estaria protegido de seus inimigos. Hoje em dia "estar debaixo da égide de alguém" significa estar debaixo da proteção de alguém.


Representação de Alexandre, o Grande. Assinalado na imagem a égide.





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Sistemas de Graduação em Artes Marciais




Olá! Hoje eu falarei sobre as origens e para onde estão indo os sistemas de graduações nas artes marciais e a minha solução para esse problema.





Origens dos Sistemas de Graduações

Faixa branca para iniciantes e faixa preta para alunos que deixam de sê-lo para tornarem-se professores. O atual sistema de graduação é o de faixas e tem as suas origens no Judô: o mestre Jigoro Kano optou por criar um sistema de graduação onde cada nível é representado por uma cor de faixa (a faixa serve para deixar o kimono preso). No Judô a faixa para iniciantes é a branca, a seguinte é a cinza, as posteriores á esta são as de cores: azul, amarela, verde, roxa, marrom e a preta. Quando se consegue a faixa preta, torna-se primeiro dan e pode-se seguir até ao décimo-segundo dan. Isso no Judô.

O mestre Gishin Funakoshi, criador do estilo shotokan de Karatê-dô, copiou do Judô o sistema de faixas, embora tenha feito algumas alterações. Oito décadas após o mestre Funakoshi ter adotado o sistema de faixa do Judô, praticamente todas as artes marciais fizeram o mesmo: capoeira, krav maga, ninjutsu, boxe, kickboxing, muay thai, kung fu... todas essas e outras artes marciais possuem graduações de cores! Existem boatos que afirmam que ocorre um comércio de faixas. Como eu nunca vi isso acontecer, fica apenas no boato, mas pela internet encontramos os mais variados relatos sobre essa prática.





Graduações na Cavalaria

As graduações na Cavalaria se resumiam a apenas três graus: Pajem, Escudeiro e Cavaleiro. Sobre cada uma dessas graduações eu falarei mais tarde em outro artigo. Mas por hora basta saber que eram três graduações e que elas podiam durar até dez anos para serem concluídas!





A Minha Proposta

Baseado nesse sistema de graduações (o da Cavalaria), eu acredito que um sistema correto de graduação deveria ser assim proposto: Básico, Intermediário e Avançado. Simples assim! Não vejo necessidade, especialmente em HEMA de haver graduações inspiradas no Judô, mas sim no velho sistema de graduações que por quase mil anos perdurou na arte marcial suprema do Ocidente!



No mais é isso, fiquem com Deus e até a próxima!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Facas: As Ferramentas Boas Para Defesa






Olá! Hoje eu falarei sobre as facas.





Introdução

Historicamente falando, facas não eram armas usadas por nobres ou mesmo pessoas do povo comum. A razão é que sempre foi lícito para pessoas comuns e da nobreza, ter e portar armas. A onda de desarmamento que assola o Ocidente é algo recente, que começou há cerca de um século atrás com a ascensão de governos marxistas como o de Lênin, Stalin, Mussolini e Hitler.



A faca era então relegada a uma simples ferramenta do cotidiano e que era usada no máximo por pobres em seus duelos além de pequenos assaltos. Porém com o desarmamento sistemático ocorrendo no Ocidente (por partidos sociais-democratas) facas tem sido bem-vistas como armas de defesa pessoal, embora elas sejam na realidade ferramentas.



Além de treinar com armas tradicionais do Ocidente, como espadas, adagas, lanças e outros, o praticante de HEMA deveria estudar e treinar luta com facas, afinal elas são por assim dizer, uma espada em miniatura e que podem ser levadas de maneira velada (escondida) para diversos locais!





Ponto de Partida

Um bom ponto de partida para começar a se treinar com facas é o manual em língua portuguesa “Defesa com Facas” de J.R.R Abrahão, Pedro Cavalcanti e Ricardo Nakayama. Esse manual é excelente para iniciantes e qualquer dia eu estarei escrevendo sobre ele!



O link para esse manual está aqui.



Além disso existem vídeos de minha autoria onde eu dou um conhecimento básico sobre luta com facas. O vídeo está com o áudio em português e encontra-se aqui:



 Primeira parte da aula de Combate com Facas.



Bom, no mais é isso!


Fiquem com Deus e até a próxima!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Faca Dobrável: O Que É e Quais as Suas Origens






Olá! Neste texto eu estarei falando sobre a faca dobrável, também conhecida pelos nomes de: balisong, butterfly, butterfly knife e outros.





Origens

A faca dobrável tem as suas origens na França. Sim: na FRANÇA, não nas Filipinas! Um livro de 1710, chamado “Le Perret” mostra um esquema de como construir uma faca dobrável usando uma ferramenta de medição chamada: “pied-du-roi”.





Um esquema retirado do livro "Le Perret" que mostra a construção de uma faca dobrável.





Um "pied-du-roi" do século XVIII.





Um “pied-du-roi” era uma unidade de medida equivalente á 32 cm. A história afirma que o nome desta unidade (que traduzindo significaria pé-do-rei) deriva do pé do imperador Carlos Magno, o Pai da Europa. Ela era utilizada no “Ancient Régime” na França e foi substituída pelo Metro nos tempos de Napoleão Bonaparte.



Como visto acima, essas são as origens da faca dobrável.





Utilidade

A faca dobrável é muito prática de ser portada e é facilmente aberta se você treinar o suficiente: em até dois segundos você consegue sacar a faca e deixa-la pronta para o uso. Existe o problema de o cabo não ser muito resistente, mas se você for utilizá-la para defesa pessoal, pode vir a ser uma boa pedida.



Muitas pessoas nas mídias sociais tem utilizado a faca dobrável para executar manobras que envolvem muito giro. Por favor: NÃO FAÇA ISSO! A faca dobrável é uma faca que serve para cortar e perfurar. Não foi feita para movimentos elaborados e outras firulas.





Bom, eu espero que esse texto tenha sido elucidativo!



Fiquem com Deus e até a próxima!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Bartitsu: O Que É e Quais as Suas Origens




Neste texto estarei falando sobre o Bartitsu, uma arte marcial criada no final do século XIX na Inglaterra.





O Que É?

O Bartitsu tem o seu nascimento em Londres, na Inglaterra de 1899, quando o engenheiro Edward William Barton-Wright fundou a Bartitsu Society, unindo o Ju-jutsu, o Savate (Boxe Francês), o Wrestling, o Judô, a Luta de Cajado e a Esgrima em uma única arte marcial! A Londres de 1899 era uma cidade suja e cheia de pobres e indigentes que contrastavam com uma classe riquíssima e poderosa. Em um ambiente assim, a criminalidade era alta: a classe média e os mais abastados sofriam com as gangues (como a dos holligans e os garroters). Assim, E.W Barton-Wright ofereceu a sua arte marcial para ajudar na defesa pessoal das pessoas!





A Origem desse “MMA Cavalheiresco”

Em 1885, E.W Barton-Wright viajou à serviço para o Japão onde trabalhou como engenheiro na construção de uma ferrovia. Lá ele aprendeu Judô (com o dr.Jigoro Kano em pessoa!) e Ju-jutsu (estilo Shinden-Fudo Ryu) tendo retornado para a Inglaterra em 1898, quando decidiu mesclar essas duas artes marciais com outras e fundar o sistema que ele próprio chamaria de “Bartitsu”. A escola chamada “Bartisu School of Arms and Physical Culture” foi estabelecida em 1901, no distrito de Soho em Londres (apelidada informalmente de “Bartitsu Club”).



Do Japão, ele trouxe dois jovens ju-juteiros, Yukio Tani e Sadakazu Uyenishi para lecionarem Ju-jutsu. Da Suíça ele trouxe o wrestler Armand Cherpillod e o mestre-de-armas Pierre Vigny para ensinarem respectivamente, Wrestling e Luta com Cajados. Além disso, Vigny era mestre em Savate e o boxe francês também era assim ensinado no Bartitsu Club.


Banner com as modalidades integradas do Bartitsu.

Uma curiosidade: entre os membros do Club havia entusiastas de esgrima histórica, ou seja: o Bartitsu Club ajudou a contribuir para o renascimento do HEMA (Historical European Martial Arts)!





O Fim

O Bartitsu Club entrou em decadência por não conseguir concorrer com outras escolas de artes marciais, que ensinavam Ju-jutsu (Jiu-jitsu japonês) e acabou falindo.



E.W Barton-Wright viria a falecer apenas em 1951, com noventa anos. Ele morreu pobre e o seu sistema defensivo teria caído no esquecimento, se o escritor sir Arthur Conan Doyle não o tivesse mencionado nas suas obras de Sherlock Holmes.





Retomada

No final dos anos 90 do século XX, estudantes de artes marciais começaram a desenterrar a história e as técnicas do Bartitsu. Em 2002 a primeira sociedade de Bartitsu foi fundada para pesquisar, reviver e divulgar o sistema de defesa, que foi o primeiro em todo o Ocidente a mesclar artes marciais visando a defesa pessoal do praticante, tanto de pé, quanto no chão.


Eu fiz um vídeo que está em áudio (língua portuguesa) falando sobre o Bartitsu:


Recentemente eu escrevi um artigo falando sobre um livro que fala sobre o Bartitsu, caso deseje, o link encontra-se aqui.