Blog da plataforma de mídias Casa dos Cavaleiros, que trata de HEMA (Historical European Martial Arts - Artes Marciais Históricas Européias) e assuntos correlatos.
Olá! Hoje eu darei uma rápida dica sobre como descobrir
como utilizar uma arma branca sem que se precise de instruções.
Formato
Observe uma arma branca e veja o formato dela: um facão
(machete) é longo e possui a ponta rombuda. Isso significa que é uma arma boa
para corte e péssima para estocada!
Uma espada longa é uma arma boa tanto para corte quanto
estocada devido ao seu tamanho e pelo fato de ter uma boa ponta.
Um gládio possui uma ponta bem destacada e isso significa
que... exatamente: possui um alto poder de estocada e deve ser utilizada assim!
Lembre-se: observe o formato da arma e assim você
descobrirá como se utiliza a mesma!
Conclusão
Se você compreendeu o que eu quero dizer então você pegou
a maneira de descobrir como funciona uma arma branca!
Olá! Neste artigo iremos abordar a figura do Mestre da
Espada visto no manual Fior di Battaglia.
Os
Sete Ataques
De acordo com o esquema abaixo, existem sete ataques da
espada:
Esses sete ataques possuem nomes:
Sottani
São os dois golpes diagonais de baixo para cima.
Mezani
São os dois golpes médios.
Fendeti
São os dois golpes diagonais vindo de cima para baixo.
Le Punte
É a estocada.
Agora nós veremos uma tradução do texto do Fior di
Battaglia à respeito desses Sete Ataques:
Colpi
Fendeti (Golpes Descendentes)
Nós somos os golpes descendentes. Nessa arte, nosso
método é cortar com precisão desde os dentes até o joelho. E podemos facilmente
acabar em qualquer uma das guardas inferiores. Somos muito eficazes em quebrar
as outras guardas e, a cada golpe que dermos, deixamos um rastro de sangue.
Nós, os golpes descendentes, atacamos rapidamente, após o que voltamos à nossa
guarda de volta por onde viemos.
Colpi
Sottani (Golpes Ascendentes)
Nós somos os golpes ascendentes, e vamos do joelho ao
meio da testa, seguindo o mesmo caminho que seguem os golpes descendentes. E
voltamos pelo mesmo caminho que ascendemos, a menos que optemos por permanecer
no alto, [isto é] na Guarda Longa [Posta Longa].
Colpi
Mezani (Golpes Médios)
Somos os golpes médios, e somos assim chamados porque
avançamos medianamente no meio do caminho tanto dos golpes descendentes quanto
dos ascendentes. Golpeamos com o fio verdadeiro da espada pela direita e com o
fio falso da espada pela esquerda, e nosso caminho pode ser em qualquer lugar
entre o joelho e a cabeça.
Le
Punte (A Estocada)
Nós somos as cruéis e mortais estocadas. Nosso alvo está
na linha central do corpo e podemos acertar em qualquer lugar entre a virilha e
a testa. E as estocadas podem ser feitas de cinco maneiras: dois de nós podem
ser feitos a partir de guardas altas, um de cada lado [as duas Guardas de
Janela - Posta di Finestra], e dois podem ser feitos a partir de guardas
baixas, também um de cada lado [Portão de Ferro Baixo e Presa do Javali - Posta
Porta di Ferro e Posta Dente di Cenghiaro]. O quinto vem de uma guarda de linha
central, e pode ser feito do Portão de Ferro Médio [Posta Porta di Ferro
Mezana], Guarda Longa [Posta Longa] ou Guarda Curta [Posta Breve].
Conclusão
Bom pessoal eu espero que esse artigo tenha sido útil
para você! No canal do YouTube eu fiz um vídeo à respeito desses Sete Ataques
do Mestre Fiore dei Liberi! Fiquem com Deus e com o vídeo abaixo apresentado e
até a próxima!
Olá! Hoje veremos sobre a meia-espada: um movimento que
tem as suas raízes na escola alemã de esgrima e que foi mencionado até mesmo na
obra “Os Lusíadas” de Camões!
O
Movimento
“—"Eu só com meus vassalos, e com
esta (E dizendo isto arranca meia espada) Defenderei da força dura e infesta A terra nunca de outrem sojugada. Em virtude do Rei, da pátria mesta, Da lealdade já por vós negada, Vencerei (não só estes adversários) Mas quantos a meu Rei forem contrários."” – Os Lusíadas, Canto IV, Estrofe
19
A meia-espada é um movimento que se divide em duas
aplicações:
A primeira é visando desarmar o oponente, retirando a
espada dele usando o movimento da tua espada para tanto.
Meia-espada
no manuscrito Gladiatoria (MS_Germ.Quart.16). Observe como se busca desarmar o
oponente com a meia-espada.
A segunda é utilizar o movimento e executar um golpe
usando o pomo da tua espada na cabeça do adversário. É importante frisar que a
meia-espada nesta segunda condição é utilizada contra um oponente usando arnês,
isto é, armado da cabeça aos pés!
Observe
a segunda forma de se utilizar a meia-espada na obra do mestre Talhoffer (MS_Thott.290.2º).
Conclusão
O movimento pode ser utilizado com espadas de uma mão
quanto com espadas de duas mãos, sendo aconselhável esse último tipo de
espada.
Neste artigo iremos desmistificar o conserto de espadas
quebradas.
LOTR
Em LOTR (Lord Of The Rings), o Retorno do Rei, vemos o
conserto de Narsil, a espada que havia pertencido ao grande rei Ellendil, o
Alto e que havia sido quebrada na Batalha de Dagorlad (nos livros a espada
quebrou quando Ellendil cai em cima da própria espada e nos filmes foi Sauron
quem a destrói pisando-a): no filme vemos a famosa cena em que a espada é
restaurada e isso gerou uma concepção errada de como se reparava uma lâmina
quebrada.
Jeito
Certo
A maneira correta de se reparar uma lâmina quebrada é
cortar (ou terminar de quebrar) a lâmina em partes iguais e empilha-la. As
partes empilhadas são postas em uma bolsa de couro que é envolta em palha e
lama de terra, sendo logo á seguir posta no fogo e aquecidas. Após ser
aquecida, o empilhado de pedaços de aço é martelado até se tornar uma massa só
e a partir daí forja-se uma nova lâmina.
Conclusão
É isso, essa é a maneira correta de se reparar uma lâmina
quebrada.
Olá! Como colocado no título deste texto eu pretendo
responder da maneira mais objetiva e direta possível se é possível ter uma
espada dentro da lei (Lei do Brasil, de onde eu escrevo).
Base
Legal
A base da lei no Brasil é a Constituição Federal que diz:
“Ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”
– Artigo 5º Parágrafo II.
Em outras palavras: para algo ser proibido, deve ser
antes escrito na lei. Ponto.
No Brasil o Governo Federal é o único ao qual compete
proibir ou restringir armamentos dentro do território nacional (Artigo 84) e sendo
assim ele o faz através de uma lista conhecida como: “R-105”. Não vou me
alongar mais nisso, digo apenas que quem criou o R-105 foi Getúlio Vargas, logo
após ele ter ganho a guerra civil travada contra os paulistas (Revolução
Constitucional de 32) e o objetivo é impedir que o Povo se arme e revolte-se
contra a União.
Respondendo
a Questão
Seja como for, o atual R-105 responde através do Decreto
10.030/2019 e nele NÃO HÁ restrições com relação a armas brancas ou espadas. Em
resumo, respondendo a pergunta do título: você PODE ter a sua espada sim,
dentro da lei, pois se não está descrita no R-105, automaticamente está
permitido!
Compre a sua espada e seja feliz com ela! Caso se interesse, eu fiz um vídeo sobre o tema mencionado aqui no blog, o áudio está em português do Brasil:
Olá! Hoje falarei sobre esse ilustre desconhecido da
história de Portugal: Dom Diogo Gomes de Figueiredo, um dos maiores esgrimistas
e comandantes militares do então Reino de Portugal.
Origens Dom Diogo nasceu por volta de 1600 em Portugal (em plena
era da União Ibérica), filho de Dom João Gomes Quaresma, foi um militar, mestre
esgrimista e autor de tratados de esgrima.
Vida Começou a sua carreira militar ainda em 1626, quando
durante a sua ida para o combate, o seu navio naufragou na Gasconha (Reino da
França). O seu primeiro tratado de esgrima é o “Oplosophia e a Verdadeira Destreza das Armas”
(escrito e publicado em 1628 – manuscrito MS Vermelho.nº.91), ), claramente um manual de esgrima baseado na “Destreza”,
a esgrima praticada na Espanha com a rapiera. Quando em 1/12/1640 o então duque de
Bragança, Dom João, deu um golpe-de-estado separando o Reino de Portugal da
Casa Habsburgo e tornando-se ele próprio rei como D.João IV (fundando a sua
própria dinastia, a Casa Real de Bragança) D.Diogo ficou ao lado dos
independentistas portugueses e serviu como mestre-de-campo (o equivalente a
época como general) das hostes portuguesas contra os exércitos da Casa
Habsburgo. No ano de 1653, escreveu outro tratado
de esgrima, o “Memorial da Prática da
Montante” (manuscrito MS
49.III.20.nº.21) ) que é o manual mais usado em nossos dias para quem
deseja aprender a lutar com uma espada Montante (também conhecida como “Great
Sword” em inglês, “Spadone” em italiano e “Zweihander” em alemão), também
conhecida como as 16 Regras e
Contra-Regras de Figueiredo, onde ele exibe todo o seu conhecimento prático
no manuseio da espada montante, a mais cultuada espada do Reino de Portugal
durante os gloriosos dias da Casa de Avis. D.Diogo escreveu esse segundo
tratado visando preservar o ensino desta espada e toda a cultura que havia sido
desenvolvida em torno dela (uma cultura lusitana em contraponto à cultura
espanhola). Como militar D.Diogo foi bem-sucedido,
participando como mestre-de-campo em três das cinco maiores vitórias de
Portugal contra os Habsburgo, com destaque para as batalhas de Montijo, Linhas
de Elvas e a defesa da Aldeia de Almeida. Foi tutor do príncipe-herdeiro
D.Teodósio (filho do rei D.João IV e de D.Luísa de Gusmão) que morreria antes
de ser aclamado rei de Portugal (vítima da “Maldição dos Braganças”?): o
Memorial da Prática do Montante foi escrito e dedicado ao príncipe.
Fim Morreu no dia 30/09/1685, com mais de
oitenta anos de idade (bastante senil para a época!). Foi sepultado no Mosteiro
de Trinidade farto de dias e sabendo que a sua pátria estava em paz com a
Espanha, além de vê-la livre dos Habsburgos ainda em vida.
Olá! Neste texto eu pretendo desmistificar a maneira (como
comumente vemos nas mídias) de se segurar uma espada.
Jeito
Errado
Nas mais diversas mídias, vemos que os heróis, vilões e
demais personagens quando vão segurar uma espada, fazem-no da mesma maneira que
esses personagens:
Maneiras erradas de se segurar uma espada!
Percebam que as mãos ficam muito juntas: isso é errado!
Elas devem ficar espaçadas.
Jeito
Certo
O jeito certo de se segurar uma espada é uma das mãos (a
não-dominante) segurar o pomo enquanto que a mão dominante segura no cabo,
próximo á guarda! Vejam a maneira correta:
Desenho retirado do
Florum Duellatorum (MS Ludwig XV 13).
Como eu seguro uma
espada de duas mãos!
Segurando da maneira correta é possível obter um melhor
equilíbrio no uso e balanço da espada, o que faz com que os golpes fiquem mais
rápidos e firmes.
Eu fiz um vídeo falando sobre o assunto, caso se interesse assista-o abaixo, ele está com o áudio em português do Brasil:
Conclusão
Eu espero que este artigo tenha sido esclarecedor!
O termo “esgrima” deriva do dialeto provençal (um dialeto
da região da Provença no sul da França) e significa “defesa”. Em inglês existe
o termo “fencing”, um diminutivo de “defencing” (“defesa”): sendo assim,
esgrima é a capacidade de alguém se defender. Porém por milênios a melhor arma
para defesa pessoal no Ocidente foi a espada, sendo assim se tornou natural que
ela se tornasse o instrumento de defesa pessoal usado no aprendizado da esgrima
(“defesa”) ao invés da lança, do machado ou mesmo do punhal.
Historicidade
A esgrima histórica sempre existiu ao longo da história
(desculpem a redundância) sendo que a partir do século XVII ela foi reduzida
(na Europa Ocidental) á lutas envolvendo a rapiera e similares. Somente na
virada dos séculos XIX e XX é que iniciou-se na Inglaterra um movimento de
resgate da esgrima histórica capitaneado por Alfred Hutton e assim para
diferenciar a esgrima olímpica da esgrima histórica foi criada há alguns anos
essa diferenciação terminológica.
A esgrima olímpica é um esporte: ela perdeu a sua
capacidade de esgrima (“defesa”) porém a esgrima histórica manteve e sempre
manterá as suas características próprias de esgrima.
Como
Estudar?
No Brasil, nos grandes centros urbanos (São Paulo, Rio de
Janeiro, Porto Alegre...) existem grupos de estudos que visam estudar a esgrima
histórica, porém pode ser que não exista próximo de sua casa um desses grupos,
o que fazer? Eu sugiro que você estude sozinho: hoje em dia existem manuais
gratuitos de HEMA (Historical European Martial Arts) espalhados pela internet
com um material historicamente autêntico e fiel. Um bom ponto de partida é a
Wiktenauer (www.wiktenauer.com):
lá você poderá encontrar vários desses manuais escritos em suas respectivas
línguas medievais e até traduções para o inglês e o francês!
Caso deseje estudar material em língua portuguesa, este
blog se propõe a estudar não apenas esgrima histórica, mas outros tipos de
artes marciais históricas europeias (AMHE). Temos também um canal no YouTube,
basta digitar “Casa dos Cavaleiros” por lá ou simplesmente clicar aqui e ir
direto para lá.
Bom, eu espero que este texto tenha sido esclarecedor!
Fiquem com Deus e até mais!
Olá: hoje veremos um pouco sobre a espada Montante,
aquela que foi a maior espada de todas, literalmente!
Ilustração
de um espadachim empunhando uma Montante.
Origens Zweihander (em
alemão), Great Sword (em inglês), Spadone (em espanhol) e Montante (em português): vários são os
nomes para definirem esse tipo de espada que ainda podem ser chamadas de “espada-lança”. A partir do século XIV os
lanceiros e piqueiros (tropas de infantaria) passaram a sobrepujar em batalha
os cavaleiros. Em resposta á isso, foi criada essa espada gigante, a Zweihander (“Duas Mãos” em alemão) que é
a verdadeira espada longa! A criação dela parece se encontrar nas fronteiras
atuais da Alemanha com a Suíça sendo que na época, dizia-se que a arma tinha as
suas raízes no Sacro Império Romano-Germânico. A espada se popularizou por causa dos mercenários
chamados em português de “Lansquenetes”,
que eram famosos por utilizarem a Zweihander em suas batalhas e que costumavam
abater lanceiros/piqueiros e deixarem o campo de batalha ideal para que a
cavalaria terminasse o serviço. Em poucos anos a Zweihander estaria espalhada
por toda a Europa Ocidental onde em Portugal, receberia o nome de “Montante”.
Medidas As Montantes tinham no mínimo: 1,5 metros de comprimento
do pomo à ponta e 1,5 kg existindo modelos pesando e tendo maiores medidas.
Alguns tipos de Montantes possuíam no ricasso duas “Parierhaken” (“ganchos de aparar” em alemão) que serviam como
guardas-mãos para o espadachim que a utilizava.
Dois tipos de montantes, uma sem parierhaken e outra com.
Uso Em campo de batalha, as Montantes eram utilizadas contra
formações de lanceiros/piqueiros, onde os espadachins portando as espadas,
cortavam as lanças para somente então atacarem os soldados inimigos!
Os últimos registros dessa espada em combate datam do
século XVIII.
Uma curiosidade: existe um manuscrito alemão chamado
“Goliath Fechtbuch” onde existe um capítulo inteiro escrito e com ilustrações
mostrando como se utiliza a Montante em combate, vale á pena conferir!
Ilustrações
do Goliath Fechtbuch.
Despedida Eu espero que esse texto tenha sido esclarecedor para
vocês! Fiquem com Deus e até mais!
Nas mídias (desenhos, séries, hqs, animes...) vemos
personagens empunhando a espada de maneira invertida, como na imagem abaixo:
É exatamente assim que NÃO se segura uma espada!
Mas na realidade essa pegada NÃO existia quando se
tratava de lutas com espadas, mas sim com adagas! Mas nós neste artigo estamos
falando de espadas, então novamente eu digo: NÃO existe qualquer registro
histórico de que se utilizassem espadas de maneira invertida!
Inundação
Nós somos e fomos inundados nas mídias com imagens de
personagens utilizando espadas invertidas, como o Dai (Fly no Brasil) do anime
Dai no Daibouken, o Kylo Ren e a Rey de Star Wars, a série The Witcher... todos
os personagens utilizam as suas respectivas espadas de maneira invertida, mas
como já mencionado, o jeito CORRETO de se utilizar uma espada é de maneira
normal.
Conclusão
Então é isso! Pretendo no futuro criar novas postagens
desmistificando outros equívocos do nosso dia-a-dia que as mídias infundem em
nós!
Eu postei um vídeo em língua portuguesa abordando esse
tema, se for de seu interesse aqui está:
Olá! Hoje vou quebrar (perdão pelo trocadilho) um mito: a
de que as espadas eram muito resistentes.
Ficção
x Realidade
Por causa de Holywood, Mangás, HQs e outras mídias, vemos
e por isso pensamos que as espadas duravam muitas batalhas e passavam de geração
a geração, porém não era isso o que ocorria na vida real, pois as espadas
quebravam constantemente. Isso acontecia por causa da fabricação do aço
carbono, que era algo bem rústico e não possuía processos confiáveis como hoje
em dia: o resultado eram espadas com aço carbono de baixa qualidade e que
necessitavam passar pelo processo de dobramento de camadas (também conhecido
como “aço damasco”) para ficarem resistentes. Espadas que não passavam por esse
processo, tendiam a quebrar mais facilmente.
Hoje em dia, por causa da industrialização e da
implantação de inspeção de qualidade nos processos produtivos, os aços
fabricados possuem, de maneira geral, maior teor de carbono e (por
consequência) qualidade do que em eras passadas: nem sempre o “tradicional” é
melhor do que o moderno!
1.As
Fontes históricas nos mostram que as espadas constantemente quebravam: manuais,
iluminuras, manuscritos, pinturas, crônicas...
2.A
arqueologia nos mostra isso através de achados, seja: no solo, nos rios, em
estruturas... é relativamente comum os arqueólogos encontrarem espadas
quebradas durante as suas buscas (ou escavações).
Conclusão
Bom é isso! Eu espero poder quebrar mais mitos com o
passar do tempo!
Gládio é um termo aportuguesado do latim “gladius”,
palavra esta que basicamente significa: “espada”. Apesar do nome desta espada
ser latino, a origem da arma é na Península Ibérica: durante a Segunda Guerra
Púnica (218 a.C – 201 a.C), os romanos tiveram que invadir as colônias que
pertenciam á Cartago e que estavam localizadas na já referida península.
Durante a invasão, os romanos tiveram que se defrontar com tribos de celtas que
eram aliados dos púnicos (ou cartagineses, se você preferir) e algumas delas
utilizavam uma espada curta contra os romanos (que na época empunhavam a kopis,
afinal as legiões romanas eram herdeiras dos hoplitas helênicos) que viram na
arma um grande potencial bélico e a adotaram para si. Essa espada curta emprestada
dos celtas ibéricos foi chamada pelos romanos de “gladius hispaniensis”, ou
“espada espanhola” em uma tradução literal.
Tipos
e Modelos
Historicamente falando só houve um gládio, que é o tipo
“hispaniensis”, porém arqueólogos encontraram em sítios arqueológicos, gládios
cujo desenho diferiam ligeiramente da forma do gladius hispaniensis e assim
eles definiram que o gládio possuía quatro “versões”.
As quatro definições artificiais que arqueólogos e historiadores usam para o gládio.
É importante ressaltar que para os romanos de outrora, só
havia UM TIPO de gládio! Essas nomenclaturas são utilizadas apenas por
historiadores e arqueólogos contemporâneos! As diferenças nos desenhos das
gladius se dava pelo fato de que a espada era feita de maneira artesanal, por ferreiros
em diversas partes do Mediterrâneo, assim era impossível obter uma padronização
na fabricação do mesmo!
Maneira
de Se Utilizar
Um gládio era utilizado em golpes de estocadas pelos seus
usuários. Em testes que eu fiz, a arma se comportou extremamente boa em
estocadas e menos satisfatoriamente em golpes que envolviam o corte,
confirmando aquilo que eu já havia estudado em documentários, livros, revistas
e séries: o gládio foi feito para se perfurar e não cortar, embora o faça muito
bem! Quem sabe lutar com facas facilmente se adapta ao gládio, pois ele
funciona como uma “faca grande”, grosseiramente falando. Se você tiver um
gládio, treine sequências de estocada que visem o abdômen e a garganta do
adversário, sendo que o golpe favorito dos legionários romanos era estocar o
abdômen de seus inimigos!
Utilizar um gládio é simples, porém exige treinamento no
uso da arma, além de resistência física, mas ambos podem ser adquiridos com
treino. E lembre-se de que o gládio é uma espada feita para se utilizar com um
escudo, sendo que pode-se facilmente adaptar o uso dele com um broquel!
Ao utilizar o gládio da maneira correta (com ataques de
estocada e diretos no alvo, sem firulas) facilmente se observa que a arma foi
adotada pelos romanos por algumas razões:
·Simplicidade
no desenho, em contraste com a kopis, que é curva. A simplicidade
fazia os custos de produção cair.
·Simplicidade
em se utilizar a arma, que basicamente se resume em estocar os
adversários com ataques diretos.
·É
uma arma curta, o que facilitava a coesão dos legionários
romanos no campo de batalha, que em formação de falange (chamadas de “manipulus” em latim) avançavam
ordenadamente como uma massa de pessoas, contra os inimigos.
O
Gládio Perante Outras Espadas
Comparar o gládio com outras espadas é covardia, pois é
uma arma condicionada a ser utilizada em certas situações no campo de batalha.
Para ser 100% eficaz, o gládio precisa:
·Ser utilizado em conjunto com um escudo (ou
broquel).
·Ser utilizado por soldados que se movam em
equipe.
·Ser utilizado por uma pessoa de baixa
estatura.
Quaisquer comparações que se faça com o gládio deverá ser
feita sob essa ótica exposta nos tópicos anteriores, caso contrário é pura falácia!
Por
Que o Gládio Deixou de Ser Utilizado?
O gládio como dito anteriormente era utilizado pelos
legionários romanos em campo de batalha e os mesmos se moviam em equipe. A
partir da segunda metade do século II d.C, os inimigos de Roma (mais
precisamente os bárbaros germânicos e celtas) passaram a evitar grandes
confrontos com os romanos, além de passarem a utilizarem mais cavalaria do que
infantaria nas táticas contra os legionários, o que obrigou os imperadores a
refazerem taticamente a Legião (Marco Aurélio ordenou que os grandes manipulus fossem desfeitos para que os
legionários fossem para a batalha em equipes de até cinco pessoas e que podiam
se dispersar caso a necessidade pedisse – Sétimo Severo durante as suas
campanhas contra os celtas que viviam no que hoje é a Escócia, viu que a
cavalaria inimiga usava uma espada longa durante os seus ataques eficazes
contra Roma, então substituiu o gládio pela spatha, sendo o gládio delegado
apenas para as tropas de infantaria ligeira).
A arma foi deixada de lado não por falta de capacidade da
mesma, mas sim porque a nova realidade tática nas batalhas exigia isso: a arma
era curta demais para ser utilizada por tropas de cavalaria, pois Sétimo Severo
(reinou de 193 d.C á 211 d.C) teve que enfrentar cavaleiros partos
(especialmente os cefratários – ou cataphract) e cavaleiros celtas (ou pictos,
se preferir) em longas e sangrentas campanhas militares. A partir dele a
importância do legionarii (um infante que combatia a pé) começou a decair em
favor do equestrii (ou cavaleiro), mas isso é outra história para outro
artigo... Eu publiquei um vídeo no YouTube falando sobre o Gládio, está em língua portuguesa: