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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Dica Rápida: Como Saber Usar Uma Arma Branca?

 


 

Olá! Hoje eu darei uma rápida dica sobre como descobrir como utilizar uma arma branca sem que se precise de instruções.

 

 

Formato

Observe uma arma branca e veja o formato dela: um facão (machete) é longo e possui a ponta rombuda. Isso significa que é uma arma boa para corte e péssima para estocada!

Uma espada longa é uma arma boa tanto para corte quanto estocada devido ao seu tamanho e pelo fato de ter uma boa ponta.

Um gládio possui uma ponta bem destacada e isso significa que... exatamente: possui um alto poder de estocada e deve ser utilizada assim!

 

Lembre-se: observe o formato da arma e assim você descobrirá como se utiliza a mesma!

 

 

Conclusão

Se você compreendeu o que eu quero dizer então você pegou a maneira de descobrir como funciona uma arma branca!

 

Fiquem com Deus e até a próxima!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Os Sete Ataques do Mestre Fiore dei Liberi

 

 

Olá! Neste artigo iremos abordar a figura do Mestre da Espada visto no manual Fior di Battaglia.

 

 

Os Sete Ataques

De acordo com o esquema abaixo, existem sete ataques da espada:

 


 

Esses sete ataques possuem nomes:

 

Sottani

São os dois golpes diagonais de baixo para cima.

 

Mezani

São os dois golpes médios.

 

Fendeti

São os dois golpes diagonais vindo de cima para baixo.

 

Le Punte

É a estocada.

 

 

Agora nós veremos uma tradução do texto do Fior di Battaglia à respeito desses Sete Ataques:

 

Colpi Fendeti (Golpes Descendentes)

 


Nós somos os golpes descendentes. Nessa arte, nosso método é cortar com precisão desde os dentes até o joelho. E podemos facilmente acabar em qualquer uma das guardas inferiores. Somos muito eficazes em quebrar as outras guardas e, a cada golpe que dermos, deixamos um rastro de sangue. Nós, os golpes descendentes, atacamos rapidamente, após o que voltamos à nossa guarda de volta por onde viemos.

 





Colpi Sottani (Golpes Ascendentes)

 


Nós somos os golpes ascendentes, e vamos do joelho ao meio da testa, seguindo o mesmo caminho que seguem os golpes descendentes. E voltamos pelo mesmo caminho que ascendemos, a menos que optemos por permanecer no alto, [isto é] na Guarda Longa [Posta Longa].

 







Colpi Mezani (Golpes Médios)

 


Somos os golpes médios, e somos assim chamados porque avançamos medianamente no meio do caminho tanto dos golpes descendentes quanto dos ascendentes. Golpeamos com o fio verdadeiro da espada pela direita e com o fio falso da espada pela esquerda, e nosso caminho pode ser em qualquer lugar entre o joelho e a cabeça.

 







Le Punte (A Estocada)

 


Nós somos as cruéis e mortais estocadas. Nosso alvo está na linha central do corpo e podemos acertar em qualquer lugar entre a virilha e a testa. E as estocadas podem ser feitas de cinco maneiras: dois de nós podem ser feitos a partir de guardas altas, um de cada lado [as duas Guardas de Janela - Posta di Finestra], e dois podem ser feitos a partir de guardas baixas, também um de cada lado [Portão de Ferro Baixo e Presa do Javali - Posta Porta di Ferro e Posta Dente di Cenghiaro]. O quinto vem de uma guarda de linha central, e pode ser feito do Portão de Ferro Médio [Posta Porta di Ferro Mezana], Guarda Longa [Posta Longa] ou Guarda Curta [Posta Breve].

 

 


Conclusão

Bom pessoal eu espero que esse artigo tenha sido útil para você! No canal do YouTube eu fiz um vídeo à respeito desses Sete Ataques do Mestre Fiore dei Liberi! Fiquem com Deus e com o vídeo abaixo apresentado e até a próxima!

 

 


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Meia-Espada: O Que É?

 


 

 

Olá! Hoje veremos sobre a meia-espada: um movimento que tem as suas raízes na escola alemã de esgrima e que foi mencionado até mesmo na obra “Os Lusíadas” de Camões!

 

 

O Movimento

—"Eu só com meus vassalos, e com esta
(E dizendo isto arranca meia espada)
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei (não só estes adversários)
Mas quantos a meu Rei forem contrários."
” – Os Lusíadas, Canto IV, Estrofe 19

 

A meia-espada é um movimento que se divide em duas aplicações:

 

A primeira é visando desarmar o oponente, retirando a espada dele usando o movimento da tua espada para tanto.

 

Meia-espada no manuscrito Gladiatoria (MS_Germ.Quart.16). Observe como se busca desarmar o oponente com a meia-espada.

 

A segunda é utilizar o movimento e executar um golpe usando o pomo da tua espada na cabeça do adversário. É importante frisar que a meia-espada nesta segunda condição é utilizada contra um oponente usando arnês, isto é, armado da cabeça aos pés!

 

Observe a segunda forma de se utilizar a meia-espada na obra do mestre Talhoffer (MS_Thott.290.2º).

 

 

Conclusão

O movimento pode ser utilizado com espadas de uma mão quanto com espadas de duas mãos, sendo aconselhável esse último tipo de espada.

 

Fiquem com Deus e até a próxima!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Desmistificando: Conserto de Espadas Quebradas

 


 

Olá!

 

Neste artigo iremos desmistificar o conserto de espadas quebradas.

 

 

LOTR

Em LOTR (Lord Of The Rings), o Retorno do Rei, vemos o conserto de Narsil, a espada que havia pertencido ao grande rei Ellendil, o Alto e que havia sido quebrada na Batalha de Dagorlad (nos livros a espada quebrou quando Ellendil cai em cima da própria espada e nos filmes foi Sauron quem a destrói pisando-a): no filme vemos a famosa cena em que a espada é restaurada e isso gerou uma concepção errada de como se reparava uma lâmina quebrada.

 

 

Jeito Certo

A maneira correta de se reparar uma lâmina quebrada é cortar (ou terminar de quebrar) a lâmina em partes iguais e empilha-la. As partes empilhadas são postas em uma bolsa de couro que é envolta em palha e lama de terra, sendo logo á seguir posta no fogo e aquecidas. Após ser aquecida, o empilhado de pedaços de aço é martelado até se tornar uma massa só e a partir daí forja-se uma nova lâmina.

 

 

Conclusão

É isso, essa é a maneira correta de se reparar uma lâmina quebrada.

 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Eu Posso Ter Uma Espada Dentro da Lei?







Olá! Como colocado no título deste texto eu pretendo responder da maneira mais objetiva e direta possível se é possível ter uma espada dentro da lei (Lei do Brasil, de onde eu escrevo).





Base Legal

A base da lei no Brasil é a Constituição Federal que diz:

“Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;– Artigo 5º Parágrafo II.



Em outras palavras: para algo ser proibido, deve ser antes escrito na lei. Ponto.



No Brasil o Governo Federal é o único ao qual compete proibir ou restringir armamentos dentro do território nacional (Artigo 84) e sendo assim ele o faz através de uma lista conhecida como: “R-105”. Não vou me alongar mais nisso, digo apenas que quem criou o R-105 foi Getúlio Vargas, logo após ele ter ganho a guerra civil travada contra os paulistas (Revolução Constitucional de 32) e o objetivo é impedir que o Povo se arme e revolte-se contra a União.





Respondendo a Questão

Seja como for, o atual R-105 responde através do Decreto 10.030/2019 e nele NÃO HÁ restrições com relação a armas brancas ou espadas. Em resumo, respondendo a pergunta do título: você PODE ter a sua espada sim, dentro da lei, pois se não está descrita no R-105, automaticamente está permitido!



Compre a sua espada e seja feliz com ela!

Caso se interesse, eu fiz um vídeo sobre o tema mencionado aqui no blog, o áudio está em português do Brasil:






Fontes:



Constituição Federal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm





Atual R-105 (Decreto 10.030/2019): http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Decreto/D10030.htm

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Biografia&Manuais: Dom Diogo Gomes de Figueiredo



Olá! Hoje falarei sobre esse ilustre desconhecido da história de Portugal: Dom Diogo Gomes de Figueiredo, um dos maiores esgrimistas e comandantes militares do então Reino de Portugal.


Origens
Dom Diogo nasceu por volta de 1600 em Portugal (em plena era da União Ibérica), filho de Dom João Gomes Quaresma, foi um militar, mestre esgrimista e autor de tratados de esgrima.


Vida
Começou a sua carreira militar ainda em 1626, quando durante a sua ida para o combate, o seu navio naufragou na Gasconha (Reino da França).
O seu primeiro tratado de esgrima é o “Oplosophia e a Verdadeira Destreza das Armas” (escrito e publicado em 1628 – manuscrito MS Vermelho.nº.91), ), claramente um manual de esgrima baseado na “Destreza”, a esgrima praticada na Espanha com a rapiera.
Quando em 1/12/1640 o então duque de Bragança, Dom João, deu um golpe-de-estado separando o Reino de Portugal da Casa Habsburgo e tornando-se ele próprio rei como D.João IV (fundando a sua própria dinastia, a Casa Real de Bragança) D.Diogo ficou ao lado dos independentistas portugueses e serviu como mestre-de-campo (o equivalente a época como general) das hostes portuguesas contra os exércitos da Casa Habsburgo.
No ano de 1653, escreveu outro tratado de esgrima, o “Memorial da Prática da Montante” (manuscrito MS 49.III.20.nº.21) ) que é o manual mais usado em nossos dias para quem deseja aprender a lutar com uma espada Montante (também conhecida como “Great Sword” em inglês, “Spadone” em italiano e “Zweihander” em alemão), também conhecida como as 16 Regras e Contra-Regras de Figueiredo, onde ele exibe todo o seu conhecimento prático no manuseio da espada montante, a mais cultuada espada do Reino de Portugal durante os gloriosos dias da Casa de Avis. D.Diogo escreveu esse segundo tratado visando preservar o ensino desta espada e toda a cultura que havia sido desenvolvida em torno dela (uma cultura lusitana em contraponto à cultura espanhola).
Como militar D.Diogo foi bem-sucedido, participando como mestre-de-campo em três das cinco maiores vitórias de Portugal contra os Habsburgo, com destaque para as batalhas de Montijo, Linhas de Elvas e a defesa da Aldeia de Almeida.
Foi tutor do príncipe-herdeiro D.Teodósio (filho do rei D.João IV e de D.Luísa de Gusmão) que morreria antes de ser aclamado rei de Portugal (vítima da “Maldição dos Braganças”?): o Memorial da Prática do Montante foi escrito e dedicado ao príncipe.


Fim
Morreu no dia 30/09/1685, com mais de oitenta anos de idade (bastante senil para a época!). Foi sepultado no Mosteiro de Trinidade farto de dias e sabendo que a sua pátria estava em paz com a Espanha, além de vê-la livre dos Habsburgos ainda em vida.


LEIA TAMBÉM: A Montante (Zweihander)

LEIA TAMBÉM: Biografia&Manuais: O Rei D.Duarte I e a Sua Obra de HEMA

LEIA TAMBÉM: O Armamento dos Portugueses do Século XV

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Desmistificando: Jeito Certo de Segurar uma Espada!




Olá! Neste texto eu pretendo desmistificar a maneira (como comumente vemos nas mídias) de se segurar uma espada.





Jeito Errado

Nas mais diversas mídias, vemos que os heróis, vilões e demais personagens quando vão segurar uma espada, fazem-no da mesma maneira que esses personagens:




Maneiras erradas de se segurar uma espada!





Percebam que as mãos ficam muito juntas: isso é errado! Elas devem ficar espaçadas.





Jeito Certo

O jeito certo de se segurar uma espada é uma das mãos (a não-dominante) segurar o pomo enquanto que a mão dominante segura no cabo, próximo á guarda! Vejam a maneira correta:






 Desenho retirado do Florum Duellatorum (MS Ludwig XV 13).




 Como eu seguro uma espada de duas mãos!




Segurando da maneira correta é possível obter um melhor equilíbrio no uso e balanço da espada, o que faz com que os golpes fiquem mais rápidos e firmes.

Eu fiz um vídeo falando sobre o assunto, caso se interesse assista-o abaixo, ele está com o áudio em português do Brasil:

 
 


Conclusão

Eu espero que este artigo tenha sido esclarecedor!



Fiquem com Deus e até mais!

LEIA TAMBÉM: Biografia&Manuais: Fiore dei Liberi

LEIA TAMBÉM: Esgrima Histórica: Uma Introdução

LEIA TAMBÉM: Gládio (Gladius): Uma Introdução

segunda-feira, 9 de março de 2020

Esgrima Histórica: Uma Introdução




Olá! Hoje eu falarei sobre a esgrima histórica, as suas origens e para onde ela caminha.


Extrato do manual de esgrima histórica "Flos Duellatorum".





Introdução

O termo “esgrima” deriva do dialeto provençal (um dialeto da região da Provença no sul da França) e significa “defesa”. Em inglês existe o termo “fencing”, um diminutivo de “defencing” (“defesa”): sendo assim, esgrima é a capacidade de alguém se defender. Porém por milênios a melhor arma para defesa pessoal no Ocidente foi a espada, sendo assim se tornou natural que ela se tornasse o instrumento de defesa pessoal usado no aprendizado da esgrima (“defesa”) ao invés da lança, do machado ou mesmo do punhal.





Historicidade

A esgrima histórica sempre existiu ao longo da história (desculpem a redundância) sendo que a partir do século XVII ela foi reduzida (na Europa Ocidental) á lutas envolvendo a rapiera e similares. Somente na virada dos séculos XIX e XX é que iniciou-se na Inglaterra um movimento de resgate da esgrima histórica capitaneado por Alfred Hutton e assim para diferenciar a esgrima olímpica da esgrima histórica foi criada há alguns anos essa diferenciação terminológica.



A esgrima olímpica é um esporte: ela perdeu a sua capacidade de esgrima (“defesa”) porém a esgrima histórica manteve e sempre manterá as suas características próprias de esgrima.





Como Estudar?

No Brasil, nos grandes centros urbanos (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre...) existem grupos de estudos que visam estudar a esgrima histórica, porém pode ser que não exista próximo de sua casa um desses grupos, o que fazer? Eu sugiro que você estude sozinho: hoje em dia existem manuais gratuitos de HEMA (Historical European Martial Arts) espalhados pela internet com um material historicamente autêntico e fiel. Um bom ponto de partida é a Wiktenauer (www.wiktenauer.com): lá você poderá encontrar vários desses manuais escritos em suas respectivas línguas medievais e até traduções para o inglês e o francês!



Caso deseje estudar material em língua portuguesa, este blog se propõe a estudar não apenas esgrima histórica, mas outros tipos de artes marciais históricas europeias (AMHE). Temos também um canal no YouTube, basta digitar “Casa dos Cavaleiros” por lá ou simplesmente clicar aqui e ir direto para lá.





Bom, eu espero que este texto tenha sido esclarecedor! Fiquem com Deus e até mais!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Espada Montante (Zweihander)


Olá: hoje veremos um pouco sobre a espada Montante, aquela que foi a maior espada de todas, literalmente!



Ilustração de um espadachim empunhando uma Montante.


Origens
Zweihander (em alemão), Great Sword (em inglês), Spadone (em espanhol) e Montante (em português): vários são os nomes para definirem esse tipo de espada que ainda podem ser chamadas de “espada-lança”. A partir do século XIV os lanceiros e piqueiros (tropas de infantaria) passaram a sobrepujar em batalha os cavaleiros. Em resposta á isso, foi criada essa espada gigante, a Zweihander (“Duas Mãos” em alemão) que é a verdadeira espada longa! A criação dela parece se encontrar nas fronteiras atuais da Alemanha com a Suíça sendo que na época, dizia-se que a arma tinha as suas raízes no Sacro Império Romano-Germânico.
A espada se popularizou por causa dos mercenários chamados em português de “Lansquenetes”, que eram famosos por utilizarem a Zweihander em suas batalhas e que costumavam abater lanceiros/piqueiros e deixarem o campo de batalha ideal para que a cavalaria terminasse o serviço. Em poucos anos a Zweihander estaria espalhada por toda a Europa Ocidental onde em Portugal, receberia o nome de “Montante”.


Medidas
As Montantes tinham no mínimo: 1,5 metros de comprimento do pomo à ponta e 1,5 kg existindo modelos pesando e tendo maiores medidas. Alguns tipos de Montantes possuíam no ricasso duas “Parierhaken” (“ganchos de aparar” em alemão) que serviam como guardas-mãos para o espadachim que a utilizava.


Dois tipos de montantes, uma sem parierhaken e outra com.


Uso
Em campo de batalha, as Montantes eram utilizadas contra formações de lanceiros/piqueiros, onde os espadachins portando as espadas, cortavam as lanças para somente então atacarem os soldados inimigos!

Os últimos registros dessa espada em combate datam do século XVIII.

Uma curiosidade: existe um manuscrito alemão chamado “Goliath Fechtbuch” onde existe um capítulo inteiro escrito e com ilustrações mostrando como se utiliza a Montante em combate, vale á pena conferir!









Ilustrações do Goliath Fechtbuch.

Despedida
Eu espero que esse texto tenha sido esclarecedor para vocês! Fiquem com Deus e até mais!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Desmistificando: Espada Invertida




Nas mídias (desenhos, séries, hqs, animes...) vemos personagens empunhando a espada de maneira invertida, como na imagem abaixo:




É exatamente assim que NÃO se segura uma espada!




Mas na realidade essa pegada NÃO existia quando se tratava de lutas com espadas, mas sim com adagas! Mas nós neste artigo estamos falando de espadas, então novamente eu digo: NÃO existe qualquer registro histórico de que se utilizassem espadas de maneira invertida!





Inundação

Nós somos e fomos inundados nas mídias com imagens de personagens utilizando espadas invertidas, como o Dai (Fly no Brasil) do anime Dai no Daibouken, o Kylo Ren e a Rey de Star Wars, a série The Witcher... todos os personagens utilizam as suas respectivas espadas de maneira invertida, mas como já mencionado, o jeito CORRETO de se utilizar uma espada é de maneira normal.





Conclusão

Então é isso! Pretendo no futuro criar novas postagens desmistificando outros equívocos do nosso dia-a-dia que as mídias infundem em nós!

 
Eu postei um vídeo em língua portuguesa abordando esse tema, se for de seu interesse aqui está:







Fiquem com Deus! Até mais!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Quebrando Mitos: As Espadas Eram Resistentes




Olá! Hoje vou quebrar (perdão pelo trocadilho) um mito: a de que as espadas eram muito resistentes.





Ficção x Realidade

Por causa de Holywood, Mangás, HQs e outras mídias, vemos e por isso pensamos que as espadas duravam muitas batalhas e passavam de geração a geração, porém não era isso o que ocorria na vida real, pois as espadas quebravam constantemente. Isso acontecia por causa da fabricação do aço carbono, que era algo bem rústico e não possuía processos confiáveis como hoje em dia: o resultado eram espadas com aço carbono de baixa qualidade e que necessitavam passar pelo processo de dobramento de camadas (também conhecido como “aço damasco”) para ficarem resistentes. Espadas que não passavam por esse processo, tendiam a quebrar mais facilmente.



Hoje em dia, por causa da industrialização e da implantação de inspeção de qualidade nos processos produtivos, os aços fabricados possuem, de maneira geral, maior teor de carbono e (por consequência) qualidade do que em eras passadas: nem sempre o “tradicional” é melhor do que o moderno!



1.   As Fontes históricas nos mostram que as espadas constantemente quebravam: manuais, iluminuras, manuscritos, pinturas, crônicas...

2.   A arqueologia nos mostra isso através de achados, seja: no solo, nos rios, em estruturas... é relativamente comum os arqueólogos encontrarem espadas quebradas durante as suas buscas (ou escavações).





Conclusão

Bom é isso! Eu espero poder quebrar mais mitos com o passar do tempo!



Saúde e paz para todos, fiquem com Deus!

LEIA TAMBÉM: Gládio (Gladius): Uma Introdução

LEIA TAMBÉM: Como Escolher Uma Espada?

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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Gládio (Gladius): Uma Introdução!






Olá! Hoje estudaremos um pouco sobre o gládio.





Origem

Gládio é um termo aportuguesado do latim “gladius”, palavra esta que basicamente significa: “espada”. Apesar do nome desta espada ser latino, a origem da arma é na Península Ibérica: durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C – 201 a.C), os romanos tiveram que invadir as colônias que pertenciam á Cartago e que estavam localizadas na já referida península. Durante a invasão, os romanos tiveram que se defrontar com tribos de celtas que eram aliados dos púnicos (ou cartagineses, se você preferir) e algumas delas utilizavam uma espada curta contra os romanos (que na época empunhavam a kopis, afinal as legiões romanas eram herdeiras dos hoplitas helênicos) que viram na arma um grande potencial bélico e a adotaram para si. Essa espada curta emprestada dos celtas ibéricos foi chamada pelos romanos de “gladius hispaniensis”, ou “espada espanhola” em uma tradução literal.





Tipos e Modelos

Historicamente falando só houve um gládio, que é o tipo “hispaniensis”, porém arqueólogos encontraram em sítios arqueológicos, gládios cujo desenho diferiam ligeiramente da forma do gladius hispaniensis e assim eles definiram que o gládio possuía quatro “versões”.




As quatro definições artificiais que arqueólogos e historiadores usam para o gládio.



É importante ressaltar que para os romanos de outrora, só havia UM TIPO de gládio! Essas nomenclaturas são utilizadas apenas por historiadores e arqueólogos contemporâneos! As diferenças nos desenhos das gladius se dava pelo fato de que a espada era feita de maneira artesanal, por ferreiros em diversas partes do Mediterrâneo, assim era impossível obter uma padronização na fabricação do mesmo!





Maneira de Se Utilizar

Um gládio era utilizado em golpes de estocadas pelos seus usuários. Em testes que eu fiz, a arma se comportou extremamente boa em estocadas e menos satisfatoriamente em golpes que envolviam o corte, confirmando aquilo que eu já havia estudado em documentários, livros, revistas e séries: o gládio foi feito para se perfurar e não cortar, embora o faça muito bem! Quem sabe lutar com facas facilmente se adapta ao gládio, pois ele funciona como uma “faca grande”, grosseiramente falando. Se você tiver um gládio, treine sequências de estocada que visem o abdômen e a garganta do adversário, sendo que o golpe favorito dos legionários romanos era estocar o abdômen de seus inimigos!



Utilizar um gládio é simples, porém exige treinamento no uso da arma, além de resistência física, mas ambos podem ser adquiridos com treino. E lembre-se de que o gládio é uma espada feita para se utilizar com um escudo, sendo que pode-se facilmente adaptar o uso dele com um broquel!



Ao utilizar o gládio da maneira correta (com ataques de estocada e diretos no alvo, sem firulas) facilmente se observa que a arma foi adotada pelos romanos por algumas razões:



·        Simplicidade no desenho, em contraste com a kopis, que é curva. A simplicidade fazia os custos de produção cair.

·        Simplicidade em se utilizar a arma, que basicamente se resume em estocar os adversários com ataques diretos.

·        É uma arma curta, o que facilitava a coesão dos legionários romanos no campo de batalha, que em formação de falange (chamadas de “manipulus” em latim) avançavam ordenadamente como uma massa de pessoas, contra os inimigos.




O Gládio Perante Outras Espadas

Comparar o gládio com outras espadas é covardia, pois é uma arma condicionada a ser utilizada em certas situações no campo de batalha. Para ser 100% eficaz, o gládio precisa:



·        Ser utilizado em conjunto com um escudo (ou broquel).

·        Ser utilizado por soldados que se movam em equipe.

·        Ser utilizado por uma pessoa de baixa estatura.



Quaisquer comparações que se faça com o gládio deverá ser feita sob essa ótica exposta nos tópicos anteriores, caso contrário é pura falácia!





Por Que o Gládio Deixou de Ser Utilizado?

O gládio como dito anteriormente era utilizado pelos legionários romanos em campo de batalha e os mesmos se moviam em equipe. A partir da segunda metade do século II d.C, os inimigos de Roma (mais precisamente os bárbaros germânicos e celtas) passaram a evitar grandes confrontos com os romanos, além de passarem a utilizarem mais cavalaria do que infantaria nas táticas contra os legionários, o que obrigou os imperadores a refazerem taticamente a Legião (Marco Aurélio ordenou que os grandes manipulus fossem desfeitos para que os legionários fossem para a batalha em equipes de até cinco pessoas e que podiam se dispersar caso a necessidade pedisse – Sétimo Severo durante as suas campanhas contra os celtas que viviam no que hoje é a Escócia, viu que a cavalaria inimiga usava uma espada longa durante os seus ataques eficazes contra Roma, então substituiu o gládio pela spatha, sendo o gládio delegado apenas para as tropas de infantaria ligeira).



A arma foi deixada de lado não por falta de capacidade da mesma, mas sim porque a nova realidade tática nas batalhas exigia isso: a arma era curta demais para ser utilizada por tropas de cavalaria, pois Sétimo Severo (reinou de 193 d.C á 211 d.C) teve que enfrentar cavaleiros partos (especialmente os cefratários – ou cataphract) e cavaleiros celtas (ou pictos, se preferir) em longas e sangrentas campanhas militares. A partir dele a importância do legionarii (um infante que combatia a pé) começou a decair em favor do equestrii (ou cavaleiro), mas isso é outra história para outro artigo...


Eu publiquei um vídeo no YouTube falando sobre o Gládio, está em língua portuguesa:




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