segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Biografia&Manuais: O Rei D.Duarte I e a Sua Obra de HEMA!




Olá! Em muitos grupos de discussão de HEMA e assuntos correlatos, nós vemos muitas citações de fontes italianas, alemães e inglesas, porém nenhuma citação de fontes portuguesas. E nós temos fontes portuguesas sim: os livros “Leal Conselheiro” e “Bem Cavalgar”, escritos pelo rei de Portugal Dom Duarte I é a prova disso!





Quem Foi?

Dom Duarte I de Portugal foi o segundo rei da Casa de Ávis e herdeiro direto do grande rei Dom João I. Foi durante o reinado de D.Duarte que o navegador Gil Eanes conseguiu dobrar o Cabo Bojador, na África (1434), o que apeteceu os europeus na arte de navegar pelo Oceano Atlântico! O rei Dom Duarte era irmão do famoso Dom Henrique, o Navegador.



Dom Duarte quando era apenas um infante, foi armado cavaleiro na ilha de Ceuta, após demonstrar o seu valor em combate durante a conquista portuguesa daquela ilha (1415). Ou seja: era alguém apto para falar sobre a cavalaria e a arte de se combater e isso vinha de berço, pois o seu pai, Dom João I era o primeiro monarca da Casa de Ávis e havia tido que conquistar o seu trono pela força das armas contra o rei de Castela, Juan I da Casa Trastâmarra. Mas sobre esse conflito, eu escreverei em outra ocasião.



Assim sendo, muita da experiência prática da Casa de Ávis pode ter sido condensada na obra “Bem Cavalgar”!



Retrato de Dom Duarte de Portugal.






As Obras

O “Leal Conselheiro” é uma obra que abrange aspectos morais ligados á Governação e as Virtudes Morais da Cavalaria. Já a obra “Bem Cavalgar” é sobre a Cavalaria especificamente, ensinando artes marciais, infelizmente essa última obra ficou incompleta: o rei D.Duarte morreu antes de poder finalizá-la (1438).



As obras possuem as seguintes passagens:



·        1438: após a morte do rei D.Duarte I, a sua esposa Eleonora de Aragão leva as suas obras Leal Conselheiro e Bem Cavalgar consigo para Nápoles.

·        1438-1495: as duas obras permanecem na Real Biblioteca de Nápoles.

·        1495: o rei da França, Carlos VIII, invade a Itália e após a sua conquista de Nápoles, espolia para si entre outras coisas, as duas obras feitas pelo rei D.Duarte I.

·        1495-Atual: as obras Leal Conselheiro e Bem Cavalgar permanecem em posse da Bibliothèque Nationale de France.







Bom, eu espero que tenha sido proveitoso este texto, fique com Deus e até mais!

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Faca Dobrável: O Que É e Quais as Suas Origens






Olá! Neste texto eu estarei falando sobre a faca dobrável, também conhecida pelos nomes de: balisong, butterfly, butterfly knife e outros.





Origens

A faca dobrável tem as suas origens na França. Sim: na FRANÇA, não nas Filipinas! Um livro de 1710, chamado “Le Perret” mostra um esquema de como construir uma faca dobrável usando uma ferramenta de medição chamada: “pied-du-roi”.





Um esquema retirado do livro "Le Perret" que mostra a construção de uma faca dobrável.





Um "pied-du-roi" do século XVIII.





Um “pied-du-roi” era uma unidade de medida equivalente á 32 cm. A história afirma que o nome desta unidade (que traduzindo significaria pé-do-rei) deriva do pé do imperador Carlos Magno, o Pai da Europa. Ela era utilizada no “Ancient Régime” na França e foi substituída pelo Metro nos tempos de Napoleão Bonaparte.



Como visto acima, essas são as origens da faca dobrável.





Utilidade

A faca dobrável é muito prática de ser portada e é facilmente aberta se você treinar o suficiente: em até dois segundos você consegue sacar a faca e deixa-la pronta para o uso. Existe o problema de o cabo não ser muito resistente, mas se você for utilizá-la para defesa pessoal, pode vir a ser uma boa pedida.



Muitas pessoas nas mídias sociais tem utilizado a faca dobrável para executar manobras que envolvem muito giro. Por favor: NÃO FAÇA ISSO! A faca dobrável é uma faca que serve para cortar e perfurar. Não foi feita para movimentos elaborados e outras firulas.





Bom, eu espero que esse texto tenha sido elucidativo!



Fiquem com Deus e até a próxima!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Bartitsu: O Que É e Quais as Suas Origens




Neste texto estarei falando sobre o Bartitsu, uma arte marcial criada no final do século XIX na Inglaterra.





O Que É?

O Bartitsu tem o seu nascimento em Londres, na Inglaterra de 1899, quando o engenheiro Edward William Barton-Wright fundou a Bartitsu Society, unindo o Ju-jutsu, o Savate (Boxe Francês), o Wrestling, o Judô, a Luta de Cajado e a Esgrima em uma única arte marcial! A Londres de 1899 era uma cidade suja e cheia de pobres e indigentes que contrastavam com uma classe riquíssima e poderosa. Em um ambiente assim, a criminalidade era alta: a classe média e os mais abastados sofriam com as gangues (como a dos holligans e os garroters). Assim, E.W Barton-Wright ofereceu a sua arte marcial para ajudar na defesa pessoal das pessoas!





A Origem desse “MMA Cavalheiresco”

Em 1885, E.W Barton-Wright viajou à serviço para o Japão onde trabalhou como engenheiro na construção de uma ferrovia. Lá ele aprendeu Judô (com o dr.Jigoro Kano em pessoa!) e Ju-jutsu (estilo Shinden-Fudo Ryu) tendo retornado para a Inglaterra em 1898, quando decidiu mesclar essas duas artes marciais com outras e fundar o sistema que ele próprio chamaria de “Bartitsu”. A escola chamada “Bartisu School of Arms and Physical Culture” foi estabelecida em 1901, no distrito de Soho em Londres (apelidada informalmente de “Bartitsu Club”).



Do Japão, ele trouxe dois jovens ju-juteiros, Yukio Tani e Sadakazu Uyenishi para lecionarem Ju-jutsu. Da Suíça ele trouxe o wrestler Armand Cherpillod e o mestre-de-armas Pierre Vigny para ensinarem respectivamente, Wrestling e Luta com Cajados. Além disso, Vigny era mestre em Savate e o boxe francês também era assim ensinado no Bartitsu Club.


Banner com as modalidades integradas do Bartitsu.

Uma curiosidade: entre os membros do Club havia entusiastas de esgrima histórica, ou seja: o Bartitsu Club ajudou a contribuir para o renascimento do HEMA (Historical European Martial Arts)!





O Fim

O Bartitsu Club entrou em decadência por não conseguir concorrer com outras escolas de artes marciais, que ensinavam Ju-jutsu (Jiu-jitsu japonês) e acabou falindo.



E.W Barton-Wright viria a falecer apenas em 1951, com noventa anos. Ele morreu pobre e o seu sistema defensivo teria caído no esquecimento, se o escritor sir Arthur Conan Doyle não o tivesse mencionado nas suas obras de Sherlock Holmes.





Retomada

No final dos anos 90 do século XX, estudantes de artes marciais começaram a desenterrar a história e as técnicas do Bartitsu. Em 2002 a primeira sociedade de Bartitsu foi fundada para pesquisar, reviver e divulgar o sistema de defesa, que foi o primeiro em todo o Ocidente a mesclar artes marciais visando a defesa pessoal do praticante, tanto de pé, quanto no chão.


Eu fiz um vídeo que está em áudio (língua portuguesa) falando sobre o Bartitsu:


Recentemente eu escrevi um artigo falando sobre um livro que fala sobre o Bartitsu, caso deseje, o link encontra-se aqui.


Peixeira (Pexêra): Uma Faca Genuinamente Brasileira!






Olá! Hoje irei abordar neste texto a “peixeira”, a faca genuína do Brasil!





Origens

As origens da peixeira é obscura pois ela é uma faca muito popular, além de fazer parte do dia-a-dia do brasileiro! O que se sabe com certeza é que ela foi e ainda é muito empregada no Norte e no Nordeste brasileiro e que foi graças ao constante fluxo migratório dos nordestinos, que a faca peixeira se espalhou pelo Brasil.



Uma curiosidade: o termo utilizado por brasileiros do Norte e do Nordeste brasileiro para essa faca é “pexêra” ao invés de “peixeira”.



Mas o certo é que no Brasil, a maneira mais fácil de alguém adquirir proteínas é justamente pescando um peixe e peixes existem aos montes pelo país! Por isso a faca peixeira espalhou-se pelo Brasil de maneira que hoje em dia ela é sinônimo de faca praticamente em todo o território brasileiro! Para você que é estrangeiro e está lendo este artigo, saiba: aqui no Brasil, se você usar a palavra “peixeira” no lugar de “faca” ninguém irá estranhar!





Diferenças

Existem facas “peixeiras” e facas “tipo peixeira”, mas qual a diferença?



As facas peixeiras possuem o cabo de madeira e pinos que prendem o cabo a espiga. Já as facas tipo peixeiras possuem o formato da lâmina idêntico as das peixeiras, porém o cabo é feito de outro material que não seja madeira.




 Em cima uma Peixeira Legítima e a de baixo uma faca tipo peixeira.




Defesa Pessoal

Por ser uma faca bastante popular e de ser barata (dificilmente uma peixeira custará mais de R$20,00) muitos assaltantes tem se utilizado da peixeira para efetuar assaltos! Por isso andar com uma dessas poderá causar problemas com a polícia, embora andar com facas NÃO seja um crime no Brasil (exceto nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro).



Eu costumo afirmar que se você quer aprender a se defender de algo, você deve conhecer esse algo. Com a peixeira é a mesma coisa: você tem que conhecer uma peixeira, segurá-la na mão e dar alguns golpes no ar e em carne de porco para saber a potencialidade que a faca pode apresentar! Se você gostar da faca, poderá utilizá-la na sua defesa pessoal como ferramenta e também poderá estar apto á se defender de uma peixeira!





Conclusão

A peixeira é uma faca que fincou raízes no Brasil e que sempre estará na cultura, na história e no imaginário popular como sinônimo de faca!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

A Tumba Número 15 de Beni Hassan




Na localidade de Beni Hassan, no Alto Egito, existe um complexo de tumbas que pertenciam aos governadores (nomarcas) do Nomo de Oryx. Ao todo são 39 tumbas: a que nos interessa é a de número 15.





Origem

A tumba abrigava o corpo de um dos nomarcas de Oryx e possui em uma das suas paredes cenas de luta agarrada que lembram bastante o wrestling atual. Os túmulos de Beni Hassan foram construídos entre os séculos XXIV a.C e XVIII a.C embora não se saiba qual seja a data exata da construção do túmulo número 15, fica confirmado que a luta agarrada era algo que já existia há milhares de anos!




 As pinturas da Tumba 15 de Beni Hassan.



Detalhe das pinturas da Tumba 15.


HEMA não é apenas espada e escudo é também luta usando o próprio corpo!



Na Ilíada, famosa obra escrita por Homero no século VIII a.C, é mencionado um combate corpo-a-corpo como sendo uma das modalidades dos jogos que Aquiles promoveu em honra da memória de Patrôclo (jogos fúnebres). Na Bíblia Sagrada, embora não seja dita nominalmente, subentende-se que durante a Batalha de Micmás, o príncipe Jonatas usou alguma forma de luta agarrada no seu combate contra os filisteus:



Jônatas os derrubava e seu escudeiro, logo atrás dele, os matava. – 1 Samuel 14.13b



Se você for ler todo o capítulo de 13 e 14 do livro de 1 Samuel, você vai descobrir que apenas Jonatas e o rei Saul tinham armas durante os eventos ocorridos em Micmás (1 Samuel 13.22). Sendo assim, Jonatas usava alguma forma de luta agarrada para derrubar os filisteus e o seu escudeiro usava uma espada para matar os inimigos! Quem já leu 1 Samuel inteiro sabe que o rei Saul lutava com uma lança (1 Samuel 26.11). Portanto a espada estava com Jonatas durante a Batalha de Micmás!



Na Ilíada é dito:



De imediato colocou Aquiles o prêmio do terceiro concurso, mostrando-os aos dânaos: era a luta dolorosa (...) Após terem se cingido, ambos avançaram para o meio e agarraram-se um ao outro com suas mãos poderosas, como as traves que um famoso construtor junta (...) Nem Odisseu conseguia derrubar Ajax e nem atirá-lo ao chão, nem Ajax conseguia o mesmo– A Ilíada, Canto XXIII.700-720



Os dois exemplos (a Bíblia Sagrada e A Ilíada) mostram que haviam formas de luta agarrada na literatura do Ocidente e as pinturas da Tumba 15 de Beni Hassan confirmam que as lutas agarradas eram realmente antigas e verdadeiras muito antes do Ocidente existir!





Conclusão

Este texto visa abrir a mente para que nós possamos conhecer que há milênios os povos antigos já brigavam! Atualmente temos judô, jiu-jitsu, wrestling e outras artes marciais que cobrem essa questão de agarramento, mas não é de hoje que existem essas artes de luta (as que lidam com grappling, especificamente).



Fiquem com Deus e até a próxima!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Desmistificando: Espada Invertida




Nas mídias (desenhos, séries, hqs, animes...) vemos personagens empunhando a espada de maneira invertida, como na imagem abaixo:




É exatamente assim que NÃO se segura uma espada!




Mas na realidade essa pegada NÃO existia quando se tratava de lutas com espadas, mas sim com adagas! Mas nós neste artigo estamos falando de espadas, então novamente eu digo: NÃO existe qualquer registro histórico de que se utilizassem espadas de maneira invertida!





Inundação

Nós somos e fomos inundados nas mídias com imagens de personagens utilizando espadas invertidas, como o Dai (Fly no Brasil) do anime Dai no Daibouken, o Kylo Ren e a Rey de Star Wars, a série The Witcher... todos os personagens utilizam as suas respectivas espadas de maneira invertida, mas como já mencionado, o jeito CORRETO de se utilizar uma espada é de maneira normal.





Conclusão

Então é isso! Pretendo no futuro criar novas postagens desmistificando outros equívocos do nosso dia-a-dia que as mídias infundem em nós!

 
Eu postei um vídeo em língua portuguesa abordando esse tema, se for de seu interesse aqui está:







Fiquem com Deus! Até mais!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Quebrando Mitos: As Espadas Eram Resistentes




Olá! Hoje vou quebrar (perdão pelo trocadilho) um mito: a de que as espadas eram muito resistentes.





Ficção x Realidade

Por causa de Holywood, Mangás, HQs e outras mídias, vemos e por isso pensamos que as espadas duravam muitas batalhas e passavam de geração a geração, porém não era isso o que ocorria na vida real, pois as espadas quebravam constantemente. Isso acontecia por causa da fabricação do aço carbono, que era algo bem rústico e não possuía processos confiáveis como hoje em dia: o resultado eram espadas com aço carbono de baixa qualidade e que necessitavam passar pelo processo de dobramento de camadas (também conhecido como “aço damasco”) para ficarem resistentes. Espadas que não passavam por esse processo, tendiam a quebrar mais facilmente.



Hoje em dia, por causa da industrialização e da implantação de inspeção de qualidade nos processos produtivos, os aços fabricados possuem, de maneira geral, maior teor de carbono e (por consequência) qualidade do que em eras passadas: nem sempre o “tradicional” é melhor do que o moderno!



1.   As Fontes históricas nos mostram que as espadas constantemente quebravam: manuais, iluminuras, manuscritos, pinturas, crônicas...

2.   A arqueologia nos mostra isso através de achados, seja: no solo, nos rios, em estruturas... é relativamente comum os arqueólogos encontrarem espadas quebradas durante as suas buscas (ou escavações).





Conclusão

Bom é isso! Eu espero poder quebrar mais mitos com o passar do tempo!



Saúde e paz para todos, fiquem com Deus!

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